19/12/2016

Cresce demanda por sistemas de LED e de refrigeração mais eficientes

Fonte: Valor Econômico

Modernização de sistemas de refrigeração e de LED têm sido a receita de pequenas e médias empresas da área de varejo para reduzir custos operacionais e manter as margens de lucro preservadas. A conta de luz tem sido uma preocupação crescente das redes, sejam grandes ou pequenas. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Brasileira de Supermercados (Abras), o insumo já representa o segundo custo operacional de alguns supermercados, superando aluguel e ficando atrás apenas da folha de pagamento dos colaboradores.

“A demanda por troca de equipamentos mais eficientes seja de refrigeração e de iluminação acontece em todos os portes de empresa; vemos redes de supermercado com quatro a cinco lojas que estão querendo investir porque as margens do setor são apertadas”, diz Renato Majarão, diretor de marketing e de desenvolvimento de negócios da Danfoss.

No Brasil, ao contrário de outros países, as gôndolas de congelados ou pré-congelados eram, em sua maioria, abertas, por causa da crença de que o consumidor comprava por impulso ao ter contato mais próximo com o produto escolhido. A opção não era eficiente do ponto de vista energético. Isso começou a mudar seja nas grandes redes, seja nas regionais ou menores, diz Majarão.

A demanda tem crescido também nas fabricantes de sistemas de iluminação de LED, cuja presença no Brasil ainda é pequena. Em iluminação pública, menos de 5% dos edifícios usam esses sistemas mais modernos. No varejo e na indústria a aplicação fica abaixo de 20%, estima Sergio Binda, diretor de da Current, powered by GE no Brasil.

Uma das vantagens é a durabilidade: frente às lâmpadas fluorescentes, o LED apresenta vida útil até cinco vezes superior. Adicionalmente, a tecnologia não emite raios infravermelhos e ultravioletas, que em aplicações comerciais podem manchar roupas, calçados e demais produtos expostos em vitrines por muito tempo. “Seja diretamente com os shoppings, em projetos acima de R$ 300 mil, seja em projetos com nossos distribuidores, em projetos com valores menores, o mercado de vendas de sistemas de LED tem crescido no Brasil acima de dois dígitos”, afirma o executivo da Current no Brasil.

A Cravil, cooperativa agrícola que mantém mais de 30 lojas e supermercados no país, além de ter ingressado algumas unidades no mercado livre de energia, também fez investimentos na modernização dos sistemas de iluminação nos pontos de venda. Cerca de 50% do consumo de lâmpadas foi trocado por equipamentos modernos. As novas lâmpadas consomem cerca de 25 W, quase um quarto do que era consumido anteriormente. Os balcões de produtos refrigerados foram fechados em alguns pontos. “Também estamos estudando microgeração distribuída solar; é provável que em dois anos possamos ter alguma parte do consumo abatido com essa nova fonte, cujo preço tem caído”, afirma Paulo Cesar Mendes, gerente de investimentos.

Não é um caso isolado. A PGM Sistemas, de Uberlândia (MG), se tornou a primeira empresa da América Latina a receber o Selo Solar, certificação concedida a unidades que geram pelo menos 50% de sua energia a partir de painéis fotovoltáicos. Os donos da empresa investiram cerca de R$ 80 mil em 28 placas que geram ao redor de 800 kWp, equivalente entre 80% e 90% da demanda da empresa.

Ao gerar sua própria energia, a empresa pode abater o que paga pelo insumo. Na Decanter, importadora de vinhos, além do sobe e desce do câmbio, a conta de energia tem sido um problema. A empresa possui um depósito climatizado de 6 mil metros quadrados em Blumenau (SC) e pagava R$ 80 mil de conta de luz. Após o aumento de 50% do ano passado, passou a desembolsar mais de R$ 100 mil. A importadora estudou investir em microgeração distribuída solar, mas acabou descartou a ideia por causa do alto custo.

Para Hewerton Martins, presidente da Solar Energy, o assunto está no radar das empresas e muitas poderão começar a investir na instalação de placas fotovoltáicas para gerar sua própria energia e assim poder abater o consumo próprio de suas contas de luz. “A crise econômica freia o ânimo, mas os custos com a energia serão crescentes e isso faz com que a microgeração distribuída solar seja uma opção cada vez mais estudada. Estamos recebendo muitas consultas e fechando contratos”, diz.

O custo da tecnologia solar caiu 60% no mundo em dez anos. Em paralelo, os bancos já estão oferecendo linhas de crédito para pequenas, médias e grandes empresas investirem no segmento. “Estamos olhando sistemas que demandam investimentos de R$ 500 mil a R$ 3 milhões. Hoje, o retorno desses investimentos caiu para sete a dez anos, enquanto em 2011 ficava em 15 anos, o que revela que esse mercado crescerá”, diz Martins.