23/12/2016

Itaipu vai investir US$ 500 milhões em modernização

Fonte: Valor Econômico

A Itaipu Binacional vai investir US$ 500 milhões na modernização da tecnologia da hidrelétrica, de 14 mil megawatts (MW) de capacidade instalada. O projeto, que terá início no próximo ano, prevê demandar dez anos para ser concluído, pois será feito em todas as 20 turbinas da usina ao longo do período.

“Vamos começar a partir do ano que vem um grande processo de atualização tecnológica [de Itaipu]. Isso vai levar mais de dez anos. Estamos nos organizando de uma forma que não haja desperdício de água. Será feito em unidade por unidade”, afirmou o diretor-geral do lado brasileiro da usina, Jorge Samek, ao Valor. O empreendimento, dos anos 80, é uma associação do governo brasileiro com o governo paraguaio.

O investimento – conforme o executivo – será pago com recursos gerados pelo próprio empreendimento e repassado para o consumidor apenas a partir de 2023, quando terminar o pagamento do financiamento da hidrelétrica, cujo investimento total foi de US$ 23 bilhões.

Na terça-feira à noite, a hidrelétrica de Itaipu atingiu a marca inédita de 100 milhões de megawatts-hora (MWh) produzidos em um único ano. A estimativa de Itaipu Binacional é que a geração em 2016 alcance recorde de 102,5 milhões de MWh. A melhor marca da hidrelétrica, até então, era de 98,6 milhões de MWh, obtida em 2013.

Segundo Samek, o principal benefício de um volume maior de energia gerada é um efeito redutor no custo para o país, tanto por um preço mais baixo da energia de Itaipu quanto da necessidade menor de utilização de outras fontes mais caras, como termelétricas. “Fazemos o nosso cálculo de produção em 75 milhões de MWh. Tudo que se produzir acima disso vem como desconto”, afirmou.

Na prática, porém, a tarifa de energia de Itaipu para as distribuidoras previstas para o próximo ano terá um aumento de 11,41%, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse crescimento se deve à variação do custo de cessão para o Brasil de parte da energia de Itaipu que pertence ao Paraguai. “Não há aumento do preço daqui [da parte brasileira] de Itaipu”, disse o executivo.

Questionado sobre a indicação do nome de Luiz Fernando Vianna, presidente da Copel, para a assumir a diretoria-geral brasileira de Itaipu, Samek afirmou que esse tipo de mudança é normal, mas que ele não tinha informações sobre o assunto. “É normal. Sempre que ocorre mudança de governo ou mudança na base de apoio, também tem novas composições. Não me preocupo com isso”, completou ele, que está há 14 anos no cargo.