03/01/2017

Calor deve levar a aumento de 3,7% no consumo de energia em janeiro

Fonte: Valor Econômico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê um crescimento de 3,7% do consumo de energia em janeiro, em relação a igual período de 2016, totalizando 67.845 megawatts (MW) médios. Apesar do dado otimista, ele não se deve a uma possível recuperação da economia brasileira, mas à elevação das temperaturas no primeiro mês deste ano, ante janeiro de 2016, segundo especialistas e meteorologistas.

As temperaturas elevadas também são reflexo de um volume de chuvas menos intenso previsto para janeiro, na comparação com igual mês de 2016. Menos chuvas se traduzem em um nível menor de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos, justamente em um período considerado importante para a recuperação dos lagos das usinas.

O ONS prevê um volume de chuvas de apenas 72% da média histórica para janeiro, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país é responsável por 70% do total de energia armazenável em reservatórios hidrelétricos do país. Com isso, o operador estima que as usinas das duas regiões cheguem ao fim do mês com apenas 36% de estoque, contra 44,4% observados no último dia de janeiro de 2016.

Segundo Leontina Pinto, diretora-executiva da consultoria Engenho, a situação dos reservatórios hidrelétricos do país é preocupante, apesar da aparente tranquilidade devido ao consumo mais fraco nos últimos anos. “Basta ver o preço alto da energia de curto prazo em janeiro”, afirmou a especialista. O preço de liquidação das diferenças (PLD), o preço de curto prazo, está em R$ 148,04 por megawatt-hora (MWh), valor considerado elevado para essa época do ano.

Na última reunião de 2016, realizada em dezembro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que reúne as principais autoridades do segmento, havia indicado que o risco de qualquer déficit de energia em 2017 era de 0,9% para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste e 0,1% para o Nordeste.

De acordo com informações do Instituto Climatempo, apesar da ocorrência do fenômeno “El Niño” – caracterizado por chuvas fortes no Sul e seca no Sudeste e Nordeste – no verão do ano passado, janeiro de 2016 foi considerado atípico para o padrão do El Niño e registrou muitas chuvas. Para este ano, não está prevista a ocorrência do volume de chuvas registrado no início de 2016. Dessa forma, também são esperadas temperaturas mais elevadas, que deverão influenciar o consumo de energia.

Segundo o ONS, entre os subsistemas do país, o maior aumento de consumo em janeiro, na comparação anual, deverá ocorrer no Nordeste, de 9,4%, para 10.926 MW médios. Com relação ao Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa é de crescimento de 3,5%, para 39.428 MW médios, na mesma comparação. Sobre o Norte, a expectativa é de aumento de 3,2%, totalizando 5.541 MW médios. Já, para o Sul, a estimativa é de queda do consumo, de 0,1%, para 11.950 MW médios.

Em entrevista recente, o diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, contou que não prevê problemas no fornecimento de energia durante o horário de pico de demanda neste verão (que ocorre entre 14h e 16h, por causa das elevadas temperaturas), devido ao consumo menor do país, fruto do desaquecimento da economia.

Com relação à expectativa de chuvas, o Nordeste continua sendo motivo de preocupação. O ONS espera um volume de chuvas de apenas 41% em relação à média histórica para janeiro na região. Com isso, a expectativa é que os lagos das usinas fechem o primeiro mês do ano com 21% de estoque, contra 17,6% registrados em igual período de 2016.

Sobre o Norte, o ONS prevê um volume de chuvas em janeiro de 63% da média histórica para o período. Dessa forma, os reservatórios da região deverão fechar o mês com 26,8% de estoque. Em 31 de janeiro de 2016, as usinas do Norte marcavam 30,3% da capacidade.

Já com relação ao Sul, o órgão prevê volume de chuvas 15% acima da média histórica para janeiro na região. Assim, o operador espera que os reservatórios das usinas do Sul cheguem ao fim deste mês com 60% de armazenamento. Em 31 de janeiro do ano passado, porém, o estoque dos reservatórios das usinas da região estava em 93,1%.