27/01/2017

Cindida em duas empresas, estatal gaúcha de energia elétrica desperta interesse da CPFL

Fonte: Valor Econômico

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Um dos ativos que poderiam estar em jogo em eventual acordo entre a União e o governo do Rio Grande do Sul, estatal elétrica gaúcha CEEE, desde a reestruturação societária realizada em 2006, foi dividida entre uma empresa de geração e transmissão (CEEE-GT) e outra de distribuição de energia (CEEE-D). O governo do Estado tem 99,99% das ações da CEEE Participações que, por sua vez, possui 65,92% das ações de cada uma das duas empresas operacionais. A Eletrobras é a segunda maior sócia, com 32,59% nas duas subsidiárias.

Ambas têm capital aberto. As últimas cotações da BMF&Bovespa indicam valor de R$ 285 milhões para a distribuidora e de R$ 773 milhões para a geradora. Só 1,5% dos papéis das empresas estão em circulação, o que diminui muito o volume de negócios e torna o valor de bolsa pouco representativo como referência para avaliação das empresas.

A CEEE-D tem 34% de participação no mercado de distribuição do Rio Grande do Sul, com a concessão de 72 municípios, atendendo 1,6 milhão de clientes. Apesar da escala, a empresa apresenta prejuízos operacionais sucessivos desde 2010.

Uma forte candidata a ficar com a concessionária, caso seja vendida, é a CPFL Energia, que opera o restante do Rio Grande do Sul desde a aquisição da AES Sul (hoje chamada RGE Sul) em meados do ano passado.

Em diversas ocasiões, o presidente da CPFL, André Dorf, disse que a companhia tem interesse em participar da eventual privatização da CEEE, devido aos potenciais ganhos de sinergia. A RGE, que já era da CPFL, tem cerca de 35% do mercado de distribuição do Estado, enquanto a RGE Sul tem os outros 31%.

Já a CEEE-GT tem 6 mil quilômetros de linhas de transmissão no Estado e 1,2 mil megawatts (MW) de potência instalada, divididos entre duas hidrelétricas (Jacuí e Salto), que somam 909,9 MW, e participações em hidrelétricas e parques eólicos.

Depois de fechar no vermelho em 2013 e 2014, a empresa deve ter o segundo ano de lucro consecutivo em 2016, especialmente pela reavaliação da indenização que receberá do governo federal pelos bens não amortizados de transmissão existentes até maio de 2000, que gerou um ganho de R$ 918 milhões que foi reconhecido no segundo trimestre.

Outra empresa considerada no potencial programa de privatizações seria a Companhia Riograndense de Mineração (CRM), que extrai carvão energético no Estado. O Rio Grande do Sul possui a maior reserva do mineral no país. O potencial de exploração da CRM é de 3 bilhões de toneladas, com um posicionamento estratégico para fornecer às termelétricas locais. As minas da empresa são a céu aberto e ficam em Minas do Leão e Candiota.

A atratividade de mercado para o carvão é baixa no Brasil, porque depende muito da instalação das usinas de energia. No mesmo Estado, contudo, a Copelmi Mineração aparece como potencial interessada, dada as sinergias do negócio. Recentemente, as duas companhias disputaram um contrato de fornecimento à Tractebel.

O valor de compra é difícil de determinar, mas o potencial é baixo. No balanço de 2015, a CRM registrou lucro operacional de apenas R$ 15,3 milhões, menos de metade do observado em 2014. Já o lucro líquido foi de R$ 12,7 milhões, mas a última linha seria de prejuízo caso não houvesse reversão de R$ 14,2 milhões em juros sobre capital próprio. O patrimônio líquido da estatal foi de R$ 289,7 milhões.

No caso da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), as demonstrações financeiras apontam lucro operacional de R$ 102 milhões em 2015 (mais recente balanço consolidado disponível), crescimento de 34,9%. O lucro líquido, subiu 28,5%, para R$ 68,5 milhões. O patrimônio da empresa foi de R$ 134,4 milhões no ano.
A estatal distribui gás canalizado com uma rede de 1.022 quilômetros, prestando serviços a 39 municípios e 32 mil residências. O governo gaúcho tem 51% do capital social. A Petrobras detém 49%.