23/01/2017

Disputa deve ajudar usinas em atraso

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O leilão de descontratação de energia de reserva deve ajudar, principalmente, as usinas de energia solar com atraso para serem implementadas, além de algumas eólicas que foram prejudicadas com a recuperação judicial da fabricante de turbinas Impsa.

Segundo levantamento feito pelo Valor, quase metade dos projetos de energia eólica com probabilidade “baixa” de entrar em operação tem participação de Furnas, subsidiária da Eletrobras.

Não há projetos de energia solar enquadrados nessa categoria, mas a Aneel identifica 730 megawatts (MW) de potência com probabilidade “média” e “dificuldade na viabilidade econômica do projeto”.

Há 719,3 MW de projetos de energia eólica enquadrados na probabilidade baixa de conclusão. Desse total, Furnas tem participação em 330,2 MW. A empresa tem ainda 127,5 MW enquadrados como probabilidade “média” pelo levantamento mais recente disponibilizado pela Aneel.
“No caso específico da fonte solar fotovoltaica, o leilão deve ter um papel interessante, no que diz respeito aos projetos do leilão de 2014. Esses projetos estavam com sua viabilidade econômico-financeira prejudicada por conta da mudança brusca que ocorreu no cenário macroeconômico brasileiro entre 2014 e 2015 em diante”, disse Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar).

Segundo Sauaia, em 2014, foram negociados 1.048 MW de capacidade de projetos de solar. Desse total, cerca de 35% estão em construção e outros 65% (cerca de 680 MW) estão parados, enquanto os empreendedores discutem alguma solução com o governo.
A adesão dos empreendedores ao leilão, porém, ainda depende de regras que serão estabelecidas. Ao Valor, Furnas disse que ainda não analisou uma participação do leilão por meio das sociedades de propósito específico (SPE) na qual participa e que possuem energia de reserva contratada.

Muitos dos projetos de eólicas com atraso na execução figuram na lista de clientes que a Impsa ajuizou na sua recuperação judicial. Um executivo do setor, que pediu para não ser identificado, disse não ter escolha a não ser descontratar seus dois parques eólicos, uma vez que não há capacidade financeira de prosseguir com os projetos depois dos prejuízos apurados com a fornecedora.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), dos 5,8 GW de eólicas vendidos em leilões de reserva, 3,9 GW já estão em operação, restando 1,9 GW em obras. Do total, “uma parte não significativa teria entraves que poderiam eventualmente levá-los a considerar o leilão de descontratação”, se as condições forem consideradas adequadas.

A maior parte das sobras, porém, não será resolvida com a descontratação de projetos de reserva, dependendo da execução do Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD) de Energia Nova que está em estudo pelo regulador do setor e que deve possibilitar a descontratação de projetos permanentemente.

Atualmente, há mais de 4 GW de potência instalada em termelétricas contratadas com probabilidade mínima de saírem do papel. É o caso das duas termelétricas do grupo gaúcho Bolognesi, que somam 2.476 MW de potência e foram vendidas em leilões A-5 no fim de 2014. Atualmente, há uma proposta de revogação das concessões em andamento.