23/02/2017

Com incentivo de políticas públicas, Comgás aposta em geração e cogeração a partir de gás natural

Fonte: Sindi Energia

gerador_a_gas

Atenta ao fato de que é cada vez maior a busca por segurança energética e equilíbrio entre custo, benefício e sustentabilidade, a Comgás, maior distribuidora de gás natural do país, tem investido na geração descentralizada por meio dessa fonte de energia como uma solução não só do ponto de vista de conforto e garantia, mas também econômico.

Para Fabricio Rocha, gerente de Geração Distribuída da companhia, “hoje, a geração a gás natural é competitiva tanto para consumidores da alta quanto da baixa tensão, nos segmentos de comércio, serviços e indústrias”.

Órgãos públicos, em âmbito estadual e nacional, também enxergam a geração de energia a gás natural como parte fundamental do desenvolvimento da matriz energética do país. A Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo, por exemplo, vem dando destaque para o tema em publicações e em eventos.

Em texto divulgado em seu site institucional, o órgão paulista afirma que o governo estadual “está apostando no gás natural como o insumo de transição para as energias renováveis e na garantia da segurança energética do maior parque industrial do Brasil”.

Além disso, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) criou políticas de micro e mini geração distribuída que permitem o enquadramento de sistemas de cogerações a gás natural de até 5 MW na mesma Resolução que incentiva a instalação de placas fotovoltaicas pelos consumidores.

Necessidade de financiamento

Mesmo com apoio do Poder Público, a expansão dos negócios do setor ainda depende de financiamento incentivado. “Acredito na eficácia da abertura de linhas de financiamento (para o crescimento deste mercado), que viabilizam a amortização da parcela de investimento com a própria economia gerada pelas soluções a gás natural”, destaca Rocha.

Para João Carlos de Souza Meirelles, secretário de Energia e Mineração de São Paulo, também é necessária a participação ativa do setor privado para que o setor se desenvolva mais, mas pondera que “para ele [setor privado] poder participar, é preciso ter garantias, segurança jurídica, regulatória e institucional”, explicou, em evento recente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Mercado da Comgás para geração

Apesar da expectativa pela criação de linhas de financiamento voltadas a projetos de geração distribuída de energia a gás natural, a Comgás adiantou-se à tendência de ampliar a participação da fonte na matriz e se dedica ao segmento por enxergar que essa é uma solução positiva e viável, em âmbito operacional e financeiro.

Atualmente, a empresa trabalha com geradores utilizados de maneira contínua e em situações de emergência ou horários de pico. Entre os clientes da organização, que, recentemente, instalaram geradores de energia a gás natural, estão a Rumo Logística e o Aeroporto de Viracopos.

A primeira substituiu 10 geradores a diesel por dois a gás natural capazes de gerar 2,4 MW de eletricidade para garantir o funcionamento do terminal do Porto de Santos em caso de quedas de energia. “Além de mais econômico, seguro e confiável, também há um ganho ambiental importante”, destaca Rocha.

Já no Aeroporto, a Comgás passou a abastecer os geradores de uma usina interna capaz de produzir 10 MW de energia para todo o complexo durante o horário de ponta (das 18h às 21h), em que a energia elétrica fica duas vezes mais cara e mais suscetível a sobrecarga e interrupções de fornecimento.

A companhia também trabalha com geradores em condomínios residenciais. “Eles impedem que os moradores fiquem totalmente às escuras e permitem o funcionamento de elevadores, tomadas que abastecem as geladeiras, iluminação do prédio, portões automáticos e sistemas de monitoramento, todos dependentes de energia. Existem modelos a gás a partir de 7Kw, com custo cerca de 20% maior do que o diesel, sem os inúmeros inconvenientes dos motores a diesel”, enfatiza o executivo.

Cogeração representa 7% da distribuição de gás

Além disso, a Comgás também aposta – e muito – no segmento de cogeração, que funciona a partir da instalação de um gerador que é usado para produção de energia, tendo o calor gerado por seu uso reaproveitado como vapor, água quente ou água gelada para ar condicionado, por meio de equipamentos como um chiller de absorção para refrigeração ou uma caldeira de recuperação de calor.

De acordo com o informado, atualmente, o segmento representa 7% do volume de gás distribuído pela companhia. Mas “a expectativa é que em 2017 este segmento cresça em ritmo mais acelerado do que o segmento industrial”, segundo Rocha.

O executivo explica que, com a produção combinada das utilidades de calor e energia mecânica, todo o potencial do sistema é aproveitado, tanto operacional quanto economicamente.

“Nos horários de pico da energia elétrica, a geração a gás natural é sem dúvida uma alternativa muito mais barata. Para os horários fora de ponta, a geração de eletricidade a partir do gás natural pode ser uma fonte mais barata, principalmente se este possuir uma cogeração que aproveite o calor residual do motor, já que haverá ainda mais economia, pois evitará outros custos com aquecimento”.

Potencial

Para a Comgás, o mercado de cogeração ainda tem muito potencial de crescimento no Brasil, seja com o uso de ar condicionado, mais utilizado em empreendimentos comerciais, seja com o aproveitamento do calor em processos térmicos, mais comum em indústrias.

“Hoje, menos de 5% dos clientes industriais e comerciais de grande porte da companhia possuem sistemas de cogeração. Em tese, todos os clientes industriais e comerciais têm demanda por energia térmica e elétrica. Só esse número já dá uma ideia de quanto a cogeração ainda pode crescer”, diz Rocha.

Entre os exemplos bem-sucedidos de sistemas de cogeração instalados pela companhia está a planta da nova fábrica da Mercedes Benz, em Iracemápolis, além do condomínio de escritórios Rochaverá, na zona sul da capital paulista, que tem uma central de cogeração com motogeradores a gás natural com capacidade de gerar 8 MW e 4 mil TRs em climatização.

“Em todos esses projetos, o cliente ganhou segurança energética, tendo a gestão da sua própria energia, qualidade, pois muitas vezes a rede elétrica oscila muito, e economia operacional, visto que os projetos de cogeração apresentam alta eficiência energética para indústrias e grandes empreendimentos comerciais”, conclui o gerente de Distribuição Distribuída da empresa.