13/02/2017

Consórcio de Belo Monte busca comprador para usina

Fonte: O Globo

Grupo controlador quer vender sua fatia de 50,02% do projeto

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As empresas que controlam a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, com 50,02% do capital, decidiram vender em bloco sua participação na usina e procuram interessados no negócio. Foi dada a largada para a troca de comando da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. O grupo de empresas que controla a Norte Energia, a concessionária que opera a usina, contratou os bancos JPMorgan e Bradesco BBI para buscar investidores, no Brasil e no exterior, interessados no projeto, conforme noticiou ontem o jornal “O Estado de S.Paulo”. Belo Monte é a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás de Três Gargantas, na China, e de Itaipu Binacional, no Brasil.

O grupo controlador pretende vender em bloco o total de sua participação na usina, que é de 50,02% do capital. A estatal Eletrobras e suas subsidiárias Eletronorte e Chesf têm 49,98%. Um executivo próximo às empresas explicou que vários fatores as levaram a tomar a decisão de sair do projeto, marcado, desde o início, por intensas polêmicas e denúncias de irregularidades.

— Um dos problemas é que, apesar de a participação do governo ser minoritária, é ele que manda na empresa. Nas decisões internas, apesar do voto dos sócios privados, prevalece o governo — destacou o executivo.

MAIS VANTAGEM EM OPERAÇÃO CONJUNTA

Outra questão que pesou para que o grupo controlador decidisse vender sua fatia foram as inúmeras denúncias de irregularidades envolvendo a construção da usina. De acordo com a delação premiada de Delcídio Amaral, ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, as irregularidades começaram no leilão da usina, em 2010. As construtoras Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez — todas envolvidas na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal — participaram da obra.

Segundo a fonte, os sócios controladores temem que o andamento das investigações afete ainda mais o projeto, que já apresenta dificuldades para ser rentável.

As empresas que fazem parte do grupo controlador, com 50,02% do capital de Belo Monte, são Neoenergia, Cemig, Light, Vale, os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa), Aliança Norte Energia (Vale/Cemig), Sinobras, e Malucelli Energia. Procuradas, elas não quiseram comentar o assunto.

De acordo com essa fonte, como a participação de cada um é pequena, da ordem de 10%, os sócios entenderam ser mais vantajoso vender suas participações em conjunto, a fim de conseguir um valor maior. A usina de Belo Monte tem valor estimado de R$ 10 bilhões.

A previsão é que a usina seja concluída em 2019. Belo Monte terá 11.233 megawatts (MW) de capacidade instalada, mas só gerará em torno de 4 mil MW na maior parte do tempo, devido à vazão do rio. Os investimentos estão em R$ 31 bilhões, contra estimativa inicial de R$ 16 bilhões.

Apesar de o processo de venda estar no início, já se comenta, no mercado, que os potenciais compradores serão certamente as gigantes chinesas, como a State Grid e a China Three Gorges (CTG) — da usina de Três Gargantas — que há vários anos vêm investindo pesado no Brasil nos setores de geração, transmissão e distribuição de energia.

No fim de 2015, a CTG levou as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, por R$ 17 bilhões. Mas o setor elétrico não atrai apenas investidores chineses. No ano passado, a italiana Enel abocanhou a Celg, distribuidora de energia de Goiás, e a Petrobras fez parcerias com estrangeiras, como a francesa Total.

BUSCA DE INVESTIDORES

O governo Michel Temer quer atrair mais investidores para o setor. Na última quarta-feira, uma comitiva de cerca de 15 empresas — entre as quais UBS, BTG Pactual, XP Investimentos, 3R, BW Gestão de Investimentos e Pollux Capital — sentou-se à mesa com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, para levantar informações do setor. As discussões envolveram energia elétrica, petróleo e mineração.

O apetite dos investidores, porém, esbarra na necessidade de capital em Belo Monte e em disputas técnicas, como aquelas entre as usinas Santo Antônio e Jirau, ambas no Rio Madeira, pela profundidade de seus reservatórios.