23/02/2017

CPFL Brasil prevê crescimento de 50% em volume este ano

Fonte: Valor Econômico

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A CPFL Brasil, comercializadora de energia do grupo CPFL, deve registrar um crescimento da ordem de 50% no volume contratado de energia na comparação com 2016, como resultado da estratégia de migração de novos consumidores e ganhos de eficiência implementada pela empresa nos últimos dois anos.

Entre 2014 e 2016, a comercializadora alcançou uma expansão de 42% do volume de energia incentivada contratado com consumidores livres, ante uma média de crescimento de 35% do mercado em geral, disse, em entrevista ao Valor, o presidente da CPFL Brasil, Daniel Marrocos. O executivo, que ocupava a presidência da CPFL Brasil de forma interina desde 2015, foi efetivado no cargo na terça-feira.

Nesse período, a expansão do volume de energia contratada no mercado livre de energia foi de 9%, refletindo a forte entrada de consumidores especiais – com consumo de 0,5 MW a 3 MW e obrigação de comprar energia incentivada -, apesar da queda no consumo dos grandes consumidores industriais. “Dado que falamos de um período que atravessa toda a crise macroeconômica, crescer 9% foi bom”, disse Marrocos.

O volume de contratos da CPFL Brasil teve expansão de 16% no total, também acima da média do mercado em geral. “Como atuamos com um trabalho de contratação de médio a longo prazo, com contratos de três a cinco anos, construímos muitos negócios para o futuro”, disse Marrocos.
Para ele, o movimento de migração de consumidores especiais, que ganhou muita força no ano passado, ainda tem espaço para continuar em 2017, embora não no mesmo ritmo.

“Temos uma visão de que chegamos em um ponto de equilíbrio. Em 2017, ainda há folga de lastro para atender o mercado. Mas, a partir de 2018, teremos equilíbrio entre oferta de energia incentivada no mercado livre com a demanda dos consumidores especiais”, disse o executivo.
Uma solução de curto prazo para aumentar a oferta de energia incentivada no mercado livre seria a realização de um leilão pelas distribuidoras, que venderiam as sobras contratuais aos consumidores livres e comercializadoras. “Seria uma solução de curto prazo e resolveria a questão do balanço energético nos próximos anos”, disse Marrocos. Segundo ele, uma análise feita pela CPFL Brasil viu como “factível” a transferência de 2.500 MW médios de energia incentivada do mercado cativo para o livre por meio desse leilão.

A solução estrutural para o problema, por sua vez, precisaria passar por uma mudança no modelo de contratação de novos projetos. “Hoje temos leilões no mercado regulado e o livre opera com o excedente da energia. Discutimos uma mudança nesse modelo”, disse Marrocos.
Apesar dos desafios que o mercado livre de energia ainda tem pela frente, a visão do executivo é otimista sobre a discussão da maior abertura deste ambiente de contratação, com uma perspectiva “promissora para os negócios nos anos futuros”.

A chinesa State Grid, que assumiu o controle do grupo CPFL no começo do ano, ficou “bastante impressionada” com o resultado histórico que a comercializadora já construiu. Segundo Marrocos, ainda que a comercialização não seja a expertise dos novos sócios, eles estão se aprofundando no assunto para entender onde usar a tecnologia disponível para melhorar questões como eficiência.