06/02/2017

EDF inicia nova fase no país com projetos em geração renovável

Fonte: Valor Econômico

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Em uma extensa área plana próxima ao Rio São Francisco, no interior de Minas Gerais, o grupo francês de energia EDF promete entregar no segundo semestre o que será um dos maiores parques de geração de energia solar do país. Com um investimento previsto de R$ 1 bilhão, a EDF Energies Nouvelles, o braço de energia renovável da multinacional, terá capacidade de gerar no pico da insolação 191 MW. Serão ao todo quase 600 mil painéis, que começaram a ser instalados em janeiro.

O empreendimento, que vai tomando forma no município de Pirapora, está entre as grandes unidades solares em construção no Brasil. Outras são da italiana Enel.

Novata no Brasil, a EDF EN quer ampliar sua presença com mais projetos de renováveis. Além da usina solar mineira, a empresa constrói uma eólica na região de Morro do Chapéu (BA) com capacidade de 66 MW. O empreendimento deve estar pronto no fim do ano. As obras de um segundo projeto na região devem começar este ano. Os aportes previstos nos dois são de R$ 1,5 bilhão. O primeiro já tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A EDF EN pertence ao grupo EDF (Electricité de France), um produtor importante de energia eletronuclear e hídrica principalmente na Europa. Em 1996, o grupo adquiriu no Brasil, ao lado de sócios, a Light. Em 2006 vendeu sua fatia na elétrica, ficando com uma térmica no Rio de Janeiro, a Norte Fluminense. Hoje, constrói com a Chesf e Eletronorte uma hidrelétrica de 400 MW em Sinop (MT).

No fim de 2016, o grupo decidiu apostar numa área nova no Brasil. A EDF EN adquiriu da Canadian Solar 80% do projeto de Pirapora. A Canadian havia vencido em agosto de 2015 o leilão do governo e hoje detém 20% do negócio.

“O Brasil tem recursos naturais, vento e sol, de qualidade. Tem um ambiente regulatório relativamente estável e a dimensão do mercado local é outra importante vantagem”, disse ao Valor o franco-português Paulo Abranches, CEO no Brasil da EDF EN durante visita às obras em Pirapora. A empresa tem hoje projetos de energia solar e eólica em 22 países.

A usina solar está sendo construída numa área de 400 hectares, uma antiga plantação de eucalipto. Pirapora, banhada pelo Rio São Francisco, fica no norte de Minas e recebeu uma injenção de ânimo em sua economia. Cerca de 300 funcionários trabalham na montagem do empreendimento, a maior parte da cidade e da região. Uma parte menor, de pessoal mais especializado, é formada por gregos, franceses, espanhóis, portugueses, italianos e hondurenhos.

No fim de 2016, o grupo decidiu apostar num segmento que ainda não tinha experimentado no Brasil

Abranches tem como meta número 1 dar o quanto antes o start em Pirapora e também na sua ‘usina de ventos’ na Bahia. E diz que já avalia a possibilidade de expansão do empreendimento solar. Os investimentos em Pirapora, nessa primeira fase, virão do BNDES, do caixa próprio e, provavelmente, de financiamentos complementares.

“Nosso plano imediato é começar a operar, continuar o desenvolvimento de projetos e eventualmente fazer aquisições”, diz o executivo, que se mudou de Paris para o Rio há dois anos. A empresa deverá participar de futuros leilões de energia, diz Abranches.

O projeto de Pirapora tem uma particularidade: os painéis usados são todos fabricados no Brasil. “Apesar de painéis brasileiros serem mais caros que os importados, temos como estratégia apostar em conteúdo local porque isso permite financiamentos com o BNDES, facilita outros financiamentos locais e também mitiga riscos cambiais”, afirmou o CEO.

Os painéis são resultado da parceria da Canadian (a mesma que é sócia no empreendimento mineiro) com a multinacional Flex, que tem fábrica em Sorocaba (SP).

A italiana Enel – pela sua subsidiária Enel Green Power Brasil – constrói três parques de geração fotovoltaica na Baia e um no Piauí, todos com componentes importados. Diz que ainda busca fornecedores locais.

A previsão é que suas quatro usinas fiquem prontas este ano. Ao todo, terão capacidade de 807 MW. A Enel afirma que a unidade do Piauí, na cidade de Nova Olinda, é a maior em construção na América Latina. Terá 292 MW de capacidade. Os investimentos nas usinas solares e em três eólicas na Bahia, também em construção, chegarão a cerca de US$ 2 bilhões.

No Brasil, energia fotovoltaica ainda representa apenas 0,2% (ou 23 MW) da capacidade total do país de geração, que é de 151 mil MW. Hidrelétricas e termelétricas respondem por quase 90%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica. Mas o cenário é de mudança. A agência computa 12 empreendimentos solares em construção e 99 cujas obras ainda não começaram. Juntos, terão capacidade de gerar cerca de 3 mil MW.

A energia gerada em Pirapora alimentará a rede nacional. Além de montar a estrutura dos painéis (que terão um tracker, um mecanismo que os fará se movimentar para acompanhar o sol) a EDF EN do Brasil ainda precisa construir uma subestação e linhas de transmissão.