24/02/2017

Eletropaulo vai para Novo Mercado

Fonte: Valor Econômico

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Em uma nova etapa da sua reorganização societária, a Eletropaulo se prepara para migrar para o Novo Mercado, segmento de listagem da BM&FBovespa com maior nível de governança. Para isso, pretende realizar a conversão das suas ações preferenciais em ordinárias, na razão de uma para uma. “Isso nos dará uma estrutura de capital mais flexível, nos ajudará a ter mais acesso a capital, o que é muito importante em uma empresa de capital intensivo como é a Eletropaulo”, disse, em entrevista ao Valor, o presidente da AES Brasil, Julian Nebreda. A Eletropaulo está listada no Nível 2 de governança.

Esse é mais um passo dado pela Eletropaulo na simplificação de sua estrutura societária. Seguindo o exemplo da AES Tietê, que realizou uma reestruturação em 2015, a distribuidora de energia concluiu, no fim de 2016, uma reorganização que fez com que AES Brasil e BNDESPar passassem a ser sócios diretos da empresa – antes essa participação era intermediada pela Brasiliana e pela AES Elpa.

Na ocasião, analistas chegaram a apontar que a operação poderia facilitar uma mudança no controle da companhia, por permitir que BNDES ou AES vendam separadamente suas participações na Eletropaulo.

Atualmente, a AES Brasil tem 50,51% das ações ON da Eletropaulo, representando 16,8% do total. Já a BNDESPar tem 22,5% das ON e 16,8% das PN, somando 18,7% do total. Caso a conversão das preferenciais em ordinárias seja aprovada, as duas controladoras da distribuidora passarão a ter, respectivamente, 16,8% e 18,7% das ações ON, tornando a estrutura de capital da companhia mais pulverizada.

O conselho de administração da companhia aprovou ontem a mudança. “Agora começa o processo, em que precisaremos de autorizações da Aneel e da BM&FBovespa”, disse Nebreda. Depois, será convocada uma assembleia geral extraordinária, na qual os acionistas vão decidir se aprovam ou não. A expectativa dele é que o processo seja concluído até o fim do ano.

“É uma oferta muito atrativa para nossos acionistas e acho que vai criar muito valor para a companhia”, afirmou Nebreda. Segundo ele, a melhora da governança é muito importante para os sócios e vai permitir também que a empresa tenha mais agilidade nos processos de tomada de decisão.

Por enquanto, a companhia não prevê a realização de um aumento de capital, mas a mudança vai facilitar operações do tipo. “Pelo fato de ser do Novo Mercado e ter só um tipo de ação, no futuro, se considerarmos aumentos de capital, estaremos melhor preparados”, disse Francisco Morandi, diretor vice-presidente e de relações com investidores da Eletropaulo.

Ontem, as ações preferenciais da Eletropaulo encerraram o pregão com queda de 1,94%, a R$ 12,16. Já as ordinárias, que praticamente não têm liquidez, ficaram estáveis em R$ 29,20.

Ainda na estratégia de recuperação, a Eletropaulo anunciou ontem seu plano de investimentos para o período de 2017 a 2021, que soma R$ 3,9 bilhões. O plano anterior, de 2016 a 2020, contemplava R$ 3,5 bilhões. Segundo Nebreda, o aumento nos investimentos vai focar no aumento das eficiências e automação da distribuidora de energia. Com isso, será possível reduzir os gastos operacionais.

A expectativa da empresa é que essas despesas tenham uma redução de R$ 350 milhões em 2017 e 2018 na comparação com a cifra de 2016, quando somaram R$ 2,08 bilhões. “Os gastos serão R$ 200 milhões menores em 2017 e mais R$ 150 menores em 2018”, disse.

A Eletropaulo vai investir na melhora da rede, tornando-a mais “robusta”. Além disso, vai focar em produtividade e eficiência.

“Parte da redução de custos permite o aumento de investimentos, é um círculo virtuoso”, disse Nebreda. Segundo ele, a companhia deve atingir as metas regulatórias da Aneel para indicadores de qualidade e para níveis de perdas ainda em 2017, já refletindo as mudanças que vêm sendo implementadas desde o ano passado.