24/02/2017

Jirau prevê gasto de até R$ 400 milhões com GSF

Fonte: Valor Econômico

jirau

A Energia Sustentável do Brasil (ESBR), consórcio formado por Engie, Mitsui, Eletrosul e Chesf, dono da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO), ampliou a previsão de despesas com o déficit de geração hídrica (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês) para algo entre R$ 250 milhões e R$ 400 milhões. No fim do ano passado, a companhia previa ter de desembolsar R$ 183 milhões com GSF em 2017.

“Para este ano, nosso GSF está variando entre R$ 250 milhões e R$ 400 milhões. Isso representa um pouco mais de 20% da nossa receita líquida. É impossível uma empresa que começou [a funcionar] agora aguentar esse nível de GSF. Tem que haver uma solução”, afirmou o presidente da ESBR, Victor Paranhos, ao Valor.

Segundo o executivo, enquanto não há uma solução estrutural para o problema, uma saída de curto prazo seria a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rever o modelo de despacho das termelétricas, que continuam operando fora da ordem de mérito, de acordo com Paranhos. Apenas com essa mudança, explicou, o custo de GSF da ESBR pode ser reduzido em 5% a 8%.

“É preciso arranjar uma solução para as usinas estruturantes”, completou ele. Além de Jirau, também são hidrelétricas estruturantes as usinas de Santo Antônio, de 3.568 megawatts (MW) de capacidade, também no Rio Madeira, e Belo Monte, de 11.233 MW, no rio Xingu (PA).

Enquanto busca reverter as despesas com GSF, a ESBR também busca aumentar a energia assegurada [volume de energia que a companhia pode comercializar]. Jirau possui 3.750 MW de capacidade e 2.205 MW médios de energia assegurada.

Na segunda-feira, a ESBR realizou um pré-teste de potência instalada e potência líquida, na qual colocou à disposição do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) toda as 50 turbinas da usina simultaneamente. Uma das máquinas, inclusive, operou com potência de 80 MW, 6,6% acima da sua potência nominal.

O próximo passo será realizar um teste de performance, possivelmente em março ou abril, para certificar que as máquinas possuem eficiência superior à estimada inicialmente. Na prática, se o teste for bem sucedido e certificado pela Aneel, a ESBR poderá ampliar a energia assegurada de Jirau.

“Primeiro é preciso pedir à Aneel que comprove os testes. Se ela [Aneel] comprovar que a máquina é mais eficiente do que inicialmente previsto, podemos pedir um aumento da energia assegurada”, explicou Paranhos.