03/02/2017

Onibus serão silenciosos e sustentáveis

Fonte: Valor Econômico

O governador Geraldo Alckmin durante início dos testes do EBus, o primeiro ônibus articulado do mundo movido totalmente a baterias. Durante o evento, o governador também anunciou a implantação da Fábrica de Cultura e da Rede Lucy Montoro em Diadema. Data: 20/02/2014. Local: Diadema/SP. 
Foto: Edson Lopes Jr/A2 FOTOGRAFIA

Há 25 anos, Dzavid Murati decidiu sair de Kosovo, onde vivia até o início das guerra da Bósnia. Foi parar em Gotemburgo, na Suécia, onde há 14 anos trabalha como motorista de ônibus. Sua rotina de trabalho, já pacata, num país conhecido pela tranquilidade nas ruas, ficou ainda mais silenciosa há pouco mais de dois anos, quando ele começou a dirigir um ônibus elétrico.

“No começo parecia até que circular com um coletivo que não faz barulho nenhum ia ser um grande problema, porque as pessoas nas ruas poderiam não perceber o veículo”, diz. Mas o tempo mostrou que não apenas os pedestres se habituaram com o ônibus silencioso como o próprio motorista já não sabe se voltará a se acostumar a conduzir um veículo convencional. A ausência de barulho, afirma, trouxe um conforto que ele nunca havia experimentado ao volante.

O sorridente Murati fala enquanto espera, no ponto final, pela recarga completa do veículo que acabou de estacionar. O ônibus está em um ambiente fechado, ao lado de um café, no campus da Chalmers Lindholmen, a universidade que fez uma parceria com a Volvo, fabricante do veículo, para testar como será a vida com ônibus que não fazem ruído e nem poluem parando em pontos dentro de um shopping ou, hospital.

O desenvolvimento desse tipo de veículo leva a indústria a se questionar até que ponto será necessário continuar a construir garagens pelo mundo. Dependendo do tamanho da casa, o automóvel da família poderia tranquilamente ficar dentro da sala e usar a tomada ao lado da tevê para carregar as baterias.

“A experiência em Gotemburgo nos mostrou que podemos usar os ônibus de um novo jeito, mais próximos das pessoas. Isso mudará o planejamento das cidades”, diz o presidente mundial da Volvo Bus, Hakan Agnevall, enquanto degusta um café a menos de três metros do ônibus parado na estação de embarque da rota 55, em Chalmers Lindholmen. Três ônibus totalmente elétricos e sete híbridos circulam nessa rota como parte da proposta de juntar indústria e acadêmicos na busca de soluções de transporte público sustentável.

O silêncio na viagem estimulou a ideia de parcerias com grupos de artistas. Foi uma grande surpresa para os passageiros, conta Agnevall, o dia em que uma cantora de ópera apresentou-se dentro do ônibus.

O elétrico que roda em Gotemburgo leva de quatro a seis minutos para recarregar as baterias nos pontos finais de embarque, tempo suficiente, para os passageiros entrarem e saírem do veículo. A autonomia alcança 20 Km. A carga rápida é possível graças a equipamentos fornecidos pela ABB, Heliox e Siemens.

A Mercedes-Benz começou a testar um ônibus semiautônomo numa linha que liga o aeroporto ao centro de Amsterdã. O motorista pode optar por dirigir ou ativar o sistema, chamado “Citypilot”, guiado por sistemas de câmeras, sensores de radar e GPS. Além do percurso, a 70 km por hora, tanto a parada nos pontos como o abrir e fechar das portas são automatizados.

No Brasil, no ano passado a Volvo testou, nas ruas de Curitiba, durante seis meses, o ônibus elétrico híbrido, produzido no país. O veículo opera com dois motores – um a combustão e outro elétrico, que também pode ser recarregado em estações de embarque.

Segundo a Volvo, o modelo testado consumiu 65% menos combustível que o modelo convencional, a diesel. Emitiu 55% menos CO2, 540% menos NOX e 1.500% menos material particulado (fumaça preta). Considerando um ano de operação, o elétrico híbrido deixaria de emitir 30 toneladas de dióxido de carbono quando comparado ao veículo convencional.

Os ônibus híbridos produzidos no Brasil podem usar o Finame, principal linha de financiamento do BNDES para veículos pesados. Recentemente, o governo brasileiro fez uma importante mudança no Finame: os veículos que poluem menos terão direito a taxas de financiamento mais baixas.

Em Campinas, no interior de São Paulo, a montadora chinesa BYD também produz ônibus elétricos. O diretor de marketing da BYD no Brasil, Adalberto Maluf, estima que o uso dos elétricos poderá alcançar um quarto das vendas de ônibus no país num período de quatro anos. Como apelo de vendas, os fabricantes argumentam que o custo de operação, mais baixo, compensa o valor mais elevado gasto na compra do veículo. Há pouco tempo a BYD também começou a testar em Indaiatuba (SP) um caminhão de lixo elétrico.