29/03/2017

Baixada Santista terá termelétrica de R$ 5 bi

Fonte: Tribuna de Santos

A Gastrading Comercializadora de Energia S.A. vai investir R$ 5 bilhões na implantação do Projeto Verde Atlântico Energias em Peruíbe.

usina termica

Integrado por gasodutos marítimo e terrestre e um terminal offshore de gás natural liquefeito sustentável (sem agressão à qualidade atual do meio ambiente), o projeto garantirá a oferta do combustível aos municípios instalados na região costeira, de Peruíbe a Cubatão, e a geração de energia, também a partir do gás, com a futura Usina Termelétrica Atlântico Energias – UTE.

A usina, projetada para ser instalada em uma área de 30 hectares (300 mil metros quadrados) nas proximidades do Jardim São Francisco e de Caraminguava, do lado direito (sentido Peruíbe) da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, poderá fornecer de 1.700 MW (megawatts) para os 1,7 milhão de moradores da Baixada Santista.

Será a terceira termelétrica instalada na região. A primeira foi a termelétrica Aditya Birla Carbon Columbian Chemicals e as egunda, a Eusébio Rocha, da Petrobras, ambas em Cubatão.

O empreendimento foi anunciado pelo presidente da Gastrading, Alexandre Chiofetti, durante visita em A Tribuna na sexta-feira. E está atrelado ao futuro leilão de energia que o Governo Federal realizará em 2018, para garantir alternativas de eletricidade no caso de futuras crises hídricas.

Se o licenciamento ambiental for concedido, a usina e o terminal de abastecimento marítimo, além de dutos e sistemas de transmissão, começarão a ser construídos em 2019, para entrarem operação a partir de 2023.

A matriz energética será o gás de xisto e derivados, adquiridos no exterior, e aportando em Peruíbe em navios tanques especializados nesse tipo de transporte. A empresa abriu mão do gás natural da Petrobras e da Bolívia. Chiofetti disse que, entre os benefícios do empreendimento para o País, está o atendimento às necessidades da Comgás, empresa que comercializará o produto, já que a Petrobras começa a escassear o fornecimento do gás natural para atender a essa distribuidora. Para Peruíbe, o investimento – que contará com recursos d oGrupo Lérose de outros investidores parceiros – dará grande impulso à economia do Litoral Sul.

EMPREGOS

Durante a obra, serão gerados 4.500 empregos diretos e a partir da operação do sistema, previsto para 2023, haverá a contratação de 412 trabalhadores, com a geração de 2 mil postos de forma indireta. Peruíbe se beneficiará também com o aumento da arrecadação tributária: estão previstos inicialmente R$ 9 milhões por ano, a partir do início das operações, que poderão dobrar nos primeiros cinco anos.

A atividade também vai gerar aumento da participação do município na parcela do ICMS arrecadado pelo Governo do Estado c no crescimento das atividades comerciais, serviços e indústrias, decorrentes da implantação da usina.

Segundo o presidente da Gastrading, Alexandre Chiofetti, o projeto é uma alternativa confiável, limpa e com baixo impacto ambiental. Vai gerar eletricidade a preços competitivos. E para a população de Peruíbe e do restante do litoral, representa uma alternativa de crescimento econômico, dando garantia energética para o desenvolvimento de atividades industriais.

Vai possibilitar ainda a expansão da rede de gás natural a ser comercializada pela Comgás em Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e também Praia Grande.

Investidores miram usina de lixo doméstico

Os investidores estão de olho em outro empreendimento que pode ser instalado na região compreendida pelos municípios do Litoral Sul: uma usina de tratamento e de queima de lixo doméstico, uma vez que o atual aterro sanitário do Sítio das Neves, na Área Continental de Santos, está atingindo grau de saturação.

O projeto Verde Atlântico Energias dá garantia de fornecimento de gás natural para a queima nas futuras usinas de resíduos da Baixada Santista

COMO FUNCIONARÁ

Vinte milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito, importados do exterior e transportados em navios tanques chegarão diariamente ao terminal offshore em Peruíbe. O projeto prevê a operação média de um navio por semana no início e de um por dia na fase posterior.

A partir daí, o gás será direcionado até a Estação de Medição e Regulagem de Pressão por uma canalização com cerca de 10 quilômetros, enterrada a uma profundidade de cerca de cinco metros, desde o mar até a Usina Termelétrica, que fica do outro lado da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega.

É um sistema semelhante ao já existente em Praia Grande, onde a Petrobras tem o ponto de entrada do gás natural do Poço de Merluza, que vem da plataforma continental marítima.

Estudo das áreas começou em 2011

A Gastrading, braço do Grupo Léros, ligado a atividades de geração de energia, decidiu implantar uma usina a gás natural em Peruíbe após ter estudado áreas também no Rio de Janeiro e em São Sebastião. Optou pela Baixada Santista e garante que não afetará reservas de preservação ambiental nem de proteção indígena.

O estudo das áreas começou em 2011. Segundo o engenheiro Paulo Guardado, gerente de projetos da Gastrading, o gás natural é um combustível fóssil mais limpo que óleo, diesel e carvão, argumento utilizado pelo grupo para neutralizar as dúvidas e até manifestos contrários de movimentos ecológicos sobre a sustentabilidade do empreendimento.

Padrão moderno

Guardado assinala que usinas a gás natural não emitem fuligem. E a projetada pela empresa para Peruíbe, a exemplo de uma outra em fase de implantação em Sergipe (SE), tem “o padrão mais moderno do mundo, com alta eficiência e baixa emissão”, estando abaixo das normas de emissões exigidas pela Cetesb para dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono.

Prefeito de Peruíbe cauteloso

A despeito do volume de investimentos previsto pelos empreendedores, o prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB), olha a proposta com cautela. Confirma que recebeu, no início de janeiro, representantes da empresa quel he apresentaram um esboço do projeto.

“A ideia do projeto depende de licenciamento junto à Cetesb e a fase de autorizações no âmbito municipal não se iniciou. Somente ocorrerá se a Cetesb autorizar. E, depois disso, haverá audiência publica, prevista ainda neste semestre, para a apresentação do projeto a sociedade”.

Luiz Maurício comemora o possível incremento na geração de empregos e impostos. “‘Mas neste momento, não passa de mera especulação. O momento exige muita cautela e não vamos permitir que sejamos usados como instrumentos de especulação imobiliária ou algo do tipo”.

Expectativa

Ainda não houve apresentação oficial da proposta à Prefeitura. Quando chegar o momento, vamos agir como um gestor deve agir: exigindo o cumprimento da lei e, especialmente, buscando o interesse público.

Abaixo-assinado circula contra o projeto

Embora o projeto ainda dependa da avaliação final de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de um Relatório de Impacto Ambiental (Rima), exigidos pela Cetesb, e de uma audiência pública a ser realizada pelo Conselho Estadual de Defesa de Meio Ambiente em Peruíbe e cidades vizinhas já há movimentos de protesto quanto ao empreendimento

Um abaixo-assinado corre as redes sociais para ser enviado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) pedindo o não licenciamento da termelétrica.

A principal acusação é que a usina, o duto e a rede de distribuição atingiriam uma grande área da Mata Atlântica, colocando em risco também a preservação de reservas indígenas.

Suspeitas

Contribui para essas dúvidas o mau resultado de um empreendimento lançado em 2008 pelo empresário Eike Batista, que não obteve o licenciamento do lbama e da Funai para construir um porto em Peruíbe, próximo a uma área de domínio indígena.

Também vem à tona a tentativa frustrada do Govemo Militar brasileiro, nos anos de 1980, de licenciar e implantar usinas nucleares na Estação Ecológica Jureia ltatins.