24/03/2017

Estudo relaciona redução de projetos a carvão a queda no aquecimento global

A redução do número de novos projetos de geração de eletricidade movidos a carvão no mundo, somada ao fechamento de unidades obsoletas, pode manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C, desde que países fortemente usuários da fonte no setor elétrico continuem acelerando ações de inserção de fontes renováveis nas suas matrizes. A possibilidade é apontada no relatório “Boom and Bust 2017: Rastreando o Pipeline Global de Usinas a Carvão”, que pelo terceiro ano seguido é elaborado em conjunto por Greenpeace, Sierra Club e CoalSwarm.

De acordo com o estudo, o planeta apresentou em 2016 um declínio de 48% do uso do carvão em atividades pré-construção em geral, uma queda de 62% no início de novas obras de usinas e, no caso da China (maior consumidora da fonte no mundo), uma redução de 85% em novas permissões para termelétricas movidas a carvão. As razões são as restrições cada vez maiores a novos projetos a carvão pelas autoridades chinesas, além de uma redução financeira por parte de apoiadores de usinas deste tipo na Índia. Apenas na China e na Índia, mais de 100 projetos estão congelados.

Além do declínio no desenvolvimento de novas plantas, a pesquisa também apurou um recorde de 64.000 MW no fechamento de usinas de carvão nos últimos dois anos, principalmente na União Europeia e nos Estados Unidos. A capacidade equivale a quase 120 grandes unidades a carvão. Na contramão da tendência chinesa, o relatório destaca Japão, Coréia do Sul, Indonésia, Vietnã e Turquia como países que não conseguiram desenvolver seus setores de energia renovável em sintonia com seus pares, e continuam a construir e planejar novas usinas de carvão altamente poluentes.

“Este foi um ano instável e incomum. Não é normal ver o congelamento de projetos em dezenas de locais, mas as autoridades centrais na China e os banqueiros na Índia passaram a reconhecer a construção excessiva de usinas de carvão como um grande desperdício de recursos. A mudança dos combustíveis fósseis para fontes limpas no setor de energia é positiva para a saúde, a segurança climática e os empregos. Todos os sinais indicam que essa mudança não deve parar”, afirma o diretor da CoalSwarm, Ted Nace.