01/03/2017

Grupo AES está mais perto de vender a Eletropaulo

Fonte: Valor

A distribuidora de energia paulista Eletropaulo está mais próxima de deixar de ser controlada pela americana AES, que excluiu a empresa de suas projeções de resultados. “Como parte da estratégia da companhia de reduzir sua exposição ao segmento de distribuição de energia no Brasil, o ‘guidance’ de 2017 e as expectativas para 2020 assumem a desconsolidação da Eletropaulo”, diz trecho do balanço da AES, publicado nos Estados Unidos na segunda-feira. Essa “desconsolidação” deve acontecer ainda em 2017.

Em teleconferência com analistas sobre balanço de 2916, o presidente da AES, Andrés Gluski, destacou que a venda da AES Sul para a CPFL Energia já evidenciava a estratégia do grupo de sair da área de distribuição no país. “Como parte da mudança, estamos migrando a Eletropaulo para o Novo Mercado. Nossos direitos de voto ficarão iguais a nossa participação, de cerca de 16%”, disse.

Gluski se referiu à proposta apresentada pelo conselho da Eletropaulo aos acionistas na semana passada de listar a empresa na BM&FBovespa no segmento com maior nível de governança.

A proposta prevê a conversão das ações preferenciais em ordinárias na razão de uma para uma. Assim, a AES, dona de 50,5% das ON atualmente (com direito à voto), passará a ter 16,8% do total de ordinárias. O BNDES, por sua vez, que compartilha o controle, ficará com 18,7% das ações. Segundo Gluski, se a AES deixar de controlar a Eletropaulo, a distribuidora deixará de ser consolidada nas demonstrações financeiras da americana.

A mudança pode acontecer, por exemplo, por meio de aumento de capital depois da reestruturação. Ao anunciar a proposta de ir ao Novo Mercado, a empresa justificou que as mudanças vão permitir um maior acesso ao mercado. Os analistas Vinicius Canheu e Arlindo Carvalho, do Credit Suisse, disseram que as perspectivas operacionais complicadas da companhia dificultam eventuais tomadas de recursos no mercado.

Com a mudança na estrutura da empresa, o processo pode ficar mais fácil. Eles apontam a possibilidade de capitalização sem a participação de AES e BNDES – resultando numa diluição de suas participações acionárias.

Para este ano, a AES prevê atingir uma geração de caixa operacional de US$ 2 bilhões a US$ 2,8 bilhões, e um lucro líquido por ação de US$ 1,00 a US$ 1,10 na Eletropaulo. A americana pretende levantar ao menos US$ 500 milhões com a venda de ativos no ano. Segundo Gluski, a “desconsolidação” deve ter efeito nulo no balanço e não forneceu mais detalhes.

Apesar da saída do negócio de distribuição de energia no Brasil, a AES mantém quer crescer em geração, com a AES Tietê. A compra do complexo eólico Alto Sertão II, por R$ 650 milhões, é um marco muito importante, afirmou o executivo.