05/04/2017

Aneel vê bandeira vermelha na conta de luz até novembro

Fonte: Valor Econômico

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O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse ontem que a bandeira vermelha deve permanecer nas contas de luz até novembro deste ano. Na última sexta-feira, a agência reguladora anunciou que os consumidores já contariam com o primeiro patamar da bandeira vermelha a partir deste mês, o que autorizou as distribuidoras a cobrarem o adicional de R$ 3 a cada 100 quilowatts-hora (KWh) consumidos.

Rufino explicou que a bandeira vermelha está sendo adotada no fim do período chuvoso. Esse fato praticamente inviabiliza uma recuperação do nível dos reservatórios ao longo do período de estiagem que o país passará entre abril e novembro.

“Muito provavelmente, no período seco, não haverá uma reversão da situação hidrológica até o início do próximo período úmido [em novembro]”, afirmou Rufino a jornalistas, no intervalo da reunião da diretoria.

O diretor da Aneel ressaltou que, apesar da alta probabilidade de manter a cobrança adicional, ainda não é possível dar uma “sentença” de permanência da bandeira vermelha. Segundo ele, existe a possibilidade, ainda que pequena, de mudanças nas condições climáticas e no comportamento do consumo nos próximos meses. Isso reduziria a necessidade de acionamento das térmicas e poderia levar ao acionamento da bandeira amarela. “Não acho provável que a gente deixe de ter o primeiro patamar da bandeira vermelha nesses meses”, reforçou.

Desde fevereiro do ano passado, o sinal vermelho não aparecia na fatura do consumidor de energia. O sistema elétrico atravessou todo o período de chuvas sem que os reservatórios das hidrelétricas estivessem com o nível confortável de água, mas o sinal verde permaneceu boa parte do tempo nas contas de luz.

Ontem, Rufino foi questionado se a bandeira vermelha a partir de agora, durante a estiagem, levaria a crer que – de novo – as térmicas demoraram a ser acionadas e a bandeira verde teria sido mantida por muito tempo. Em períodos mais severos de seca, entre 2014 e 2015, as autoridades do setor chegaram a se acusadas de assumirem o risco de racionamento para segurar a alta das tarifas de energia.

 

O diretor respondeu a jornalistas que as decisões de acionamento das térmicas são tomadas após avaliações e orientações do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Além disso, ele ressaltou que o acionamento das bandeiras é uma mera consequência do aumento ou da redução de custo de compra da energia no sistema.

Apesar do sinal de aumento da tarifa com a bandeira vermelha, a diretoria da Aneel aprovou ontem a redução das tarifas três distribuidoras. A maior delas, a CPFL Paulista, aplicará um corte médio de 10,50% nas contas de 4,2 milhões de consumidores do interior de SP.

A Energisa Mato Grosso do Sul (EMS) reduzirá, em média, 1,92% a energia fornecida para 993 mil unidades do MS. Já a Energisa Mato Grosso (EMT) aplicará corte médio de 2,10% das contas de luz de 1,3 milhão de unidades consumidoras de Mato Grosso.