18/04/2017

CTG investe R$ 3 bi em modernização de hidrelétricas

Fonte: Valor Econômico

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Após investir R$ 23 bilhões no país e atingir potência instalada de 8,27 gigawatts (GW) em poucos anos, a China Three Gorges (CTG), dona da hidrelétrica de Três Gargantas, vai destinar de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões à modernização das usinas Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp até 2015.

A CTG Brasil está focada na fusão de seus ativos e na modernização das usinas, disse, em entrevista exclusiva ao Valor, Evandro Vasconcelos, vice-presidente de geração da empresa. “Achamos que essa e a nova onda do setor no país”, disse, se referindo à modernização das máquinas existentes.

A empresa dividiu o processo em etapas. Inicialmente vai investir na modernização das primeiras quatro máquinas. Foi feita uma licitação com as fornecedoras GE, Andritz e Voith. Esta última venceu o contrato de R$ 260 milhões, com 15 meses de duração.

“Primeiro fizemos a licitação nacional e só convidamos as empresas que estão no Brasil. Nas próximas etapas, ainda não definimos. Talvez façamos uma concorrência internacional, aí será aberta no mundo todo”, disse Vasconcelos. A primeira etapa é vista como um “projeto piloto”, para que a empresa possa aprender como será o processo, que é considerado muito complexo.

A CTG ainda não definiu como vai financiar os investimentos. No primeiro contrato com a Voith vai usar capital próprio, mas a companhia está conversando com bancos privados e também com o BNDES.

No total, as duas usinas têm 34 máquinas. A reforma deve ser feita em 10 anos, uma vez que a CTG não pode paralisar as operações de muitas máquinas ao mesmo tempo. “O prazo é esse, mas estamos vendo se conseguimos reduzir para oito anos”, disse Vasconcelos.

Com os investimentos, a CTG vai ganhar eficiência e reduzir custos de manutenção, aumentando a confiabilidade das usinas. “Vamos reformar todos os geradores, mantendo praticamente só a estrutura metálica. Vamos trocar serviços auxiliares, que são muito antigos, e trocar sistemas de proteção analógicos por digitais. Isso vai ter um impacto muito grande na operação das usinas, que são operadas hoje manualmente”, disse.

Outra questão que a empresa negocia é uma “repotencialização” das usinas, com aumento da garantia física disponível. “Se conseguirmos, talvez tenhamos que trocar turbinas, e o valor do investimento possa ir de R$ 2,5 bilhões para R$ 3 bilhões”, disse.

Em relação à revisão da garantia física em implementação pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que deve afetar Jupiá e Ilha Solteira, além das usinas que pertenciam à Duke Energy Paranapanema (hoje CTG Paranapanema), o executivo explicou que está discutindo com o poder concedente.

“Há uma cláusula na legislação dedicada a ativos greenfield [novos] que diz que eles têm a garantia física estável por cinco anos”, disse. Como o contrato de concessão é novo, resultante do leilão promovido pelo governo em novembro de 2016, a CTG entende ter o direito de manter a garantia física das duas hidrelétricas.

A CTG teve crescimento vertiginoso no Brasil e já é a segunda maior geradora privada do país. A gigante chinesa comprou, em 2015, 308 MW em ativos da Triunfo, por R$ 1,9 bilhão. No mesmo ano, arrematou as hidrelétricas Jupiá (1,5 GW) e Ilha Solteira (3,4 GW), desembolsando R$ 13,8 bilhões em bônus da outorga dos ativos. No fim do ano passado, a chinesa comprou os negócios da Duke Energy no país, que somam 2,27 GW, por cerca de US$ 1,2 bilhão, chegando ao total de 8,27 GW de potência no Brasil.