05/04/2017

Eletrobras diz que volta a leilões em 2018

Fonte: O Globo

Segundo presidente da estatal, já há interessados em distribuidoras

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A Eletrobras e suas subsidiárias voltarão a participar de leilões de geração e transmissão de energia a partir do próximo ano e poderão, inclusive, em alguns casos, atuar como majoritária, afirmou ontem Wilson Ferreira Júnior, presidente da estatal, em evento de comemoração dos 60 anos de Furnas.

Segundo o executivo, este ano será de reestruturação na companhia, com adoção de medidas de governança, integração de sistemas entre as empresas do grupo e redução da dívida, de R$ 23 bilhões.

— O conjunto da redução das despesas e potencialização dessas receitas vai fazer com que o grupo Eletrobras e suas empresas possam voltar a ser protagonistas, agentes de investimentos a partir da reestruturação — disse o presidente da estatal.

Neste ano, o grupo Eletrobras vai investir R$ 9 bilhões. Sua prioridade será a conclusão de obras.

O presidente da Eletrobras destacou que já existem investidores interessados na compra de seis distribuidoras de energia federalizadas que são controladas pela Eletrobras. Elas atuam nos estados de Acre, Alagoas, Amazonas, Rondônia, Roraima e Piauí. MODELO DE VENDA Elas devem ser privatizadas nos mesmos moldes do leilão realizado no ano passado para venda da Celg, que atua em Goiás. Na segunda tentativa de venda, a empresa foi comprada pela Enel no fim do ano passado.

O processo de reestruturação da Eletrobras prevê uma série de ações para melhorar o caixa das distribuidoras e eliminar dívidas antes da sua venda.

— Temos tido várias manifestações de interesse (pelas distribuidoras). Para falar dos players que estão no Brasil, que têm experiência e podem fazer desses negócios uma plataforma maior, há a Equatorial, que está no Maranhão e no Pará, a Enel, que está no Ceará, a Energisa, entre outras. Vários estão demonstrando interesse — afirmou Ferreira Júnior.

O BNDES foi contratado pela Eletrobras para realizar os trabalhos de avaliação e modelagem para a privatização das distribuidoras. O trabalho deve ser concluído em julho.

Presente ao evento, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, fez críticas aos governos anteriores, sem citar nomes, dizendo que o setor elétrico foi deixado em situação difícil.

— Justamente por ser empresa pública, ela (Eletrobras) foi obrigada a patrocinar toda política da época então tida como prioritária pelo governo — disse.