26/04/2017

Investimento em transmissão será menor que o previsto

Fonte: Valor Econômico

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Sem perder de vista a rentabilidade, algumas das principais vencedoras do leilão de transmissão realizado segunda-feira esperam investir montantes significativamente menores do que aqueles previstos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

No total, foram licitados 31 dos 35 lotes ofertados, somando R$ 12,7 bilhões em investimentos, segundo os cálculos do regulador.

O deságio médio foi de 36,5% em relação à receita anual permitida (RAP) máxima que havia sido calculada pela Aneel, ante 12% do de outubro. “Em nossa visão, isso indica que as companhias devem estar contando com descontos significativos no capex previsto, ou com a antecipação do início das operações das linhas, a fim de conseguirem retornos decentes”, escreveram os analistas Vinicius Canheu e Arlindo Carvalho, do Credit Suisse, em relatório enviado a clientes ontem.

É o caso das empresas EDP Energias do Brasil, Alupar e Energisa, que já informaram o mercado que pretendem concluir as obras com investimentos inferiores aos projetados pelo governo. Pelos cálculos da Aneel, os aportes nos lotes arrematados pelas empresas somariam R$ 4,9 bilhões. Com os descontos previstos, porém, o montante fica quase R$ 1 bilhão inferior – o que sugere que os R$ 12,7 bilhões calculados pelo governo possam ser um número menor.

Os quatro lotes arrematados pela EDP Energias do Brasil correspondem a R$ 3,6 bilhões. A companhia, porém, prevê gastar cerca de R$ 3 bilhões com o desenvolvimento dos projetos, uma economia de 20%. “A agressividade no leilão resultou de condições comerciais muito competitivas e da negociação com nossos empreiteiros”, disse Setas, em entrevista ao Valor.

No lote localizado em Santa Catarina, por exemplo, que envolve investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão, a EDP entrou em parceria com a Celesc, que vai possibilitar “condições comerciais diferenciadas”. A escolha da WEG como fornecedora também traz vantagens, pois a empresa tem fábrica no Estado. “Isso nos permitiu ter acesso a vantagens fiscais muito relevantes e a otimizar nosso capex”, disse Setas.

A Alupar, por sua vez, venceu um lote que envolve investimentos de R$ 900 milhões. A expectativa da companhia é de reduzir esse montante em 30%, disse José Luiz Godoy, vice-presidente e diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas feita para comentar o leilão.

“Otimizamos bastante nosso capex e conseguimos baixar em cerca de 30% em relação a estimativa da Aneel”, disse Godoy. Por ser no interior de São Paulo, o traçado da linha de transmissão em questão é “relevante”, mas a companhia aposta que conseguirá entregar dentro do esperado. “Nossa expectativa de retorno está entre 12% e 13%”, disse.

De acordo com Godoy, cerca de 35% dos lotes licitados no leilão terão retornos superiores a dois dígitos para os investidores.

A Energisa arrematou, ao todo, dois lotes no leilão. A Aneel estima que os dois projetos, que totalizam 864 quilômetros de linhas nos Estados de Goiás e Pará, exijam investimentos de R$ 625 milhões. A companhia, contudo, estima ser possível reduzir em 15% esse valor, com base no pré-contrato de construção já assinado pela empresa.

“[A economia] está associada à otimização de traçados, aos arranjos de equipamentos utilizados. De fato, é uma coisa que é possível fazer em termos de engenharia”, disse o diretor de finanças corporativas da Energisa, Cláudio Brandão, em teleconferência.

Apesar dessas condições terem permitido que alguns investidores fizessem ofertas mais agressivas na disputa, “também deixaram os lances mais arriscados, pois há consideravelmente menos espaço para erros durante o período de construção”, alertaram os analistas do Credit Suisse.

Para mitigar o risco de construção, a EDP contratou Camargo Corrêa, a paranaense Cesbe, WEG e ABB para as obras e os equipamentos. “Temos uma diversificação boa de fornecedores, nenhum deles representa mais que 40% do capex previsto nas obras. Assim, o risco é diluído”, disse Setas.