24/05/2017

Geração solar cresce e acelera debate sobre armazenamento

Fonte: Valor Econômico

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Em 10 de maio, o Reino Unido atingiu um novo recorde na geração de energia solar. No começo da tarde daquela quarta-feira, a produção de eletricidade solar chegou a 8,5 gigawatts (GW), segundo a Eletric Insights, um site que acompanha a produção de energia no Reino Unido. Em seu pico, a fonte de energia “verde” forneceu mais de 22% dos 38 GW que alimentavam a rede nacional britânica, com a energia solar superando por algumas horas a produção constante das usinas de energia nuclear do Reino Unido.

É um recorde que deverá ser superado logo, já que o Reino Unido, assim como outros países, gera cada vez mais energia a partir de fontes renováveis para atingir as metas relacionadas às mudanças climáticas. Em 2015, as fontes renováveis superaram o carvão e se tornaram a maior fonte de geração de energia instalada no mundo.

A contribuição cada vez maior das energias “limpas”, em especial a eólica e a solar, para as redes de eletricidade, no entanto, traz o problema da imprevisibilidade e da intermitência dessas fontes.

A armazenagem ainda é uma parte bem pequena do mercado de energia, mas vem se desenvolvendo rapidamente tanto em pequena escala na esfera doméstica – onde os moradores podem usar baterias combinadas a painéis solares em seus telhados – quanto em escalas muito maiores, com a criação de “parques” de baterias projetados para equilibrar o fornecimento à rede elétrica.

Em 2005, no mundo, havia capacidade de armazenamento de 6 megawatts-hora (mWh) de energia nas empresas de distribuição em grande escala, segundo a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Hoje, a capacidade supera os 4.000 mWh. Ainda assim, isso é suficiente apenas para garantir o fornecimento temporário de cerca de 130 mil residências por um dia.

“Em 2016, havia quase 1.100 megawatts-hora de armazenamento de energia contratados nas distribuidoras em grande escala. Houve um aumento enorme nos últimos dois anos”, diz Julia Attwood, da BNEF. Os números da BNEF incluem todas as tecnologias de armazenagem. Segundo analistas, a tecnologia “a ser superada” atualmente é a das baterias de íon de lítio.

“Um dos problemas mais básicos das fontes renováveis é que seu fornecimento de eletricidade é intermitente, enquanto grande parte da demanda é muito constante”, diz Attwood. “Nossas redes, nossas indústrias e eletrodomésticos, são todos configurados para usar uma fonte de energia muito constante, que não varie muito. A armazenagem de energia pode ser uma solução para isso, atuando efetivamente como uma ponte entre a forma como geramos energias renováveis e a forma como a queremos consumir.”

Nos Estados Unidos, as preocupações sobre a segurança no fornecimento energético impulsionam o interesse no desenvolvimento de baterias em grande escala. Em 2015, na Califórnia, onde um grande vazamento de gás natural perto de Los Angeles afetou o fornecimento de energia convencional, as autoridades reguladoras decretaram que fossem construídas baterias de armazenamento para impedir novos cortes de energia.

No Japão, a tecnologia ganhou mais força depois do desastre nuclear em Fukushima, em 2011, quando as baterias foram consideradas uma ferramenta útil para lidar com interrupções no fornecimento da rede de eletricidade.

Na Alemanha, o declínio no custo dos painéis solares somado ao aumento dos preços na rede de energia fez crescer o interesse nas baterias de armazenagem doméstica.

“Agora, na maioria dos casos e na maioria dos países, é mais barato gerar eletricidade solar em seu telhado do que comprar eletricidade de uma distribuidora”, diz Sam Wilkinson, da empresa de dados IHS Markit.

A popularidade dos sistemas de armazenagem da eletricidade gerada pelos painéis solares domésticos é incentivada por subsídios generosos na Alemanha e em outros países, que ajudam os moradores a pagar os custos iniciais da compra da bateria.

Embora o custo das baterias esteja diminuindo, Wilkinson admite que em muitos casos “são necessários incentivos” para expandir o mercado de baterias de armazenamento e, assim, ajudar a equilibrar a rede.

“Os custos caíram radicalmente, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes de que [as baterias] sejam realmente incorporadas em todos os lugares da rede e [ainda] vamos ver volumes imensos delas”, diz Wilkinson.

Paralelamente, o crescimento do mercado de veículos elétricos ajudou a reduzir os custos e a melhorar a concepção das baterias de íon de lítio. A bateria para uso em veículos elétricos caiu de US$ 1 mil por quilowatt-hora em 2010 para US$ 273 em 2016, segundo a BNEF, que prevê um declínio de mais 73% no custo até 2030.

Analistas destacam que o mercado ainda é muito novo, mas que novas melhoras tecnológicas das baterias, tanto na rede quanto em casa ou na estrada, deverão permitir que as fontes de energia intermitentes mais limpas ampliem seu papel na composição energética geral.