26/05/2017

Operador Nacional do Sistema: junho chega com as chuvas no sul do país

Fonte: Canal Energia

Politica operacional é de minimizar defluência em Três Marias para evitar que reservatório chegue a zero

ons_Escritorio Central_Rio de Janeiro

A previsão meteorológica indica que o mês de junho deverá ser mais seco e frio na maior parte do Brasil, a exceção será no Sul do país que deixará de ser importadora de energia para ser exportador diante do aumento das afluências nas bacias daquela região. Essa movimentação é considerada dentro da normalidade pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e foi apresentada no primeiro dia da reunião do Programa Mensal de Operação para o mês de junho.

De acordo com as análises feitas pelo operador, a temperatura das águas do oceano Pacífico estão apontando para uma neutralidade nos próximos três meses, ou seja, há uma baixa perspectiva de ocorrência do El Niño, que reforçaria as chuvas mais ao Sul do país. Com isso, a estimativa é de que o próximo trimestre, que é o mais seco do ano realmente seja dentro da normalidade com pouca chuva no Brasil Central e no Nordeste, onde para de chover em junho, assim como no Norte. Nessas regiões não deverá haver amplitude de temperaturas, diferente do Sul e do Sudeste.

Com isso, a carga continua em linha com o que foi projetado no início do ano. No Sistema Interligado Nacional, essa estimativa é de aumento de 1,6% em junho e de 2,6% julho. Os dados preliminares de maio apontam para um aumento de 1,9% em maio ante o mesmo período do ano passado. Ao se confirmar esses dados o período de janeiro a julho deverá apresentar crescimento de 1,6% ante 2016.
Segundo o gerente executivo do operador, Ney Fukui, apesar de termos UHEs vertendo, os níveis de armazenamento estão mais baixos que nessa mesma época do ano passado. Ele relatou que Tucuruí estava com o vertedouro aberto até meados de maio, agora que as afluências recuaram à metade foi fechado, mas ainda assim o reservatório encontra-se quase cheio. Assim como Três Irmãos e as usinas do Paranapanema, que levaram como consequência à abertura também em Itaipu, que fica no final da cascata. Mesmo assim, as bacias dos rios Paranaíba e Grande estavam com armazenamento 14 pontos porcentuais e 30 pontos porcentuais abaixo do reportado no ano passado, respectivamente.

Assim, com as chuvas do Sul a expectativa do ONS, explicitada pelo seu diretor geral, Luiz Eduardo Barata, no Enase 2017, se realiza. Àquela semana, ele declarou que o operador contava com essa afluência e dessa forma parar de exportar energia para essa região do país e assim recuperar os reservatórios do Sudeste, que vinham andando de lado para ajudar a manter os níveis de armazenamento no Sul na casa de 40%. Segundo o ONS, esse submercado deve fechar maio a 42,9%.

Por sua vez, o Nordeste continua em situação delicada. A perspectiva é de que Sobradinho encerre o período seco com um nível de armazenamento negativo. E maio teve uma participação importante sendo este o pior em termos de ENA no histórico com apenas 23% da MLT. A usina que possui mais importante reservatório da região encerrará o mês com 13,8% e a tendência é de que esse ano seja reportado o pior período seco da história na região. Segundo dados apresentados, ao se manter a defluência mínima em 650 metros cúbicos por segundo o volume da barragem será de 4,7% negativos ante uma curva de segurança de 10% positivos.

A política operativa do operador será a de minimizar a defluência de Três Marias para evitar que o reservatório dessa usina também chegue a zero, até porque diferente da usina da Chesf, essa não pode operar no volume morto. Se chegar a esse nível não há mais descarga de água e o rio secará a jusante. A Cemig apresentou uma perspectiva de energia natural afluente que é de um cenário de 20% da MLT. Esse volume é considerado factível de ser verificado. Caso essa projeção se confirme a tendência é de que a UHE encerre o período seco com apenas 3,1% de sua capacidade ocupada.

Contudo, ao mesmo tempo que as chuvas são reduzidas no Nordeste a fonte eólica começa a aparecer com mais intensidade e maior estabilidade já a partir de junho e com uma tendência de crescimento até outubro com fatores de capacidade crescentes. No Norte está prevista a redução da geração de Teles Pires e de Belo Monte assim como no Madeira com as usinas começando a fechar os vertedouros. O sistema de transmissão que conecta as usinas Santo Antônio e Jirau à região Sudeste estava com 5.400 MW de carga.

Os dados preliminares do ONS apontam que a energia natural afluente no mês de junho deverá ficar em 110% da MLT, já no Sul a projeção é de 147%, no Nordeste é de 40% e no Norte é estimada inicialmente em 65% da média histórica.