29/05/2017

Queda do PLD pode ajudar a aliviar exposição ao risco hidrológico

Fonte: Valor Econômico

risco_hidrologico

A forte queda no preço de liquidação das diferenças (PLD) desta semana é uma boa notícia para aqueles que estão expostos ao risco hidrológico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês).

Isso porque a maior parte das geradoras hidrelétricas acaba liquidando a exposição ao GSF no mercado de curto prazo. Como o PLD esteve acima de R$ 450 por megawatt-hora (MWh) durante todo o mês de maio, o valor referente à exposição ao GSF era consideravelmente grande.

Com a queda de 75%, para R$ 118,77/MWh, nas regiões Sudeste, Sul e Norte no período de 27 de maio a 2 de junho, o valor da exposição tende a ser menor.

Outra boa notícia é que o GSF previsto pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para maio caiu de 23,5% para 20,6%. Para junho, a expectativa é de um índice de 17,1%.

Isso significa que uma hidrelétrica que tenha 100 megawatts (MW) médios de garantia física vai ter gerado, em média, 79,4 MW médios durante maio. Se a usina contratou 95 MW médios, vai precisar comprar os 15,6 MW médios restantes no mercado de curto prazo, pagando o PLD.

Ainda é um nível consideravelmente alto, mas indica que a CCEE vai revisar para baixo a sua projeção do início de maio para o GSF médio do ano, de 19,2%.

Até o início do mês, a CCEE contava com um PLD médio de R$ 353/MWh e o GSF médio de 19,2%, resultando numa exposição de R$ 39,7 bilhões. Desse montante, R$ 26,7 bilhões estavam em contratos no mercado regulado e outros R$ 13 bilhões no mercado livre.

No mercado regulado, a maior parte dos agentes está protegida, seja por mecanismos de hedge ou pelo “seguro” que o governo ofereceu em 2015 na chamada repactuação do risco hidrológico, quando foi publicada a Medida Provisória (MP) 688, convertida na Lei 13.203 de 2015.

O problema urgente está no mercado livre. O produto do “seguro” voltado para esses contratos não agradou e os agentes preferiram manter as liminares que limitam os efeitos do GSF em suas contas a zero ou 5% de exposição. Desde então, a CCEE já acumula um montante de R$ 1,6 bilhão em aberto nas liquidações do mercado de curto prazo, referente às liminares do GSF.

Ainda que a exposição no mercado livre este ano não chegue aos R$ 13 bilhões calculados pela CCEE anteriormente, devido à atualização das premissas, o problema segue urgente para o governo, pois o mercado de curto prazo pode travar, inviabilizando novos negócios.

A expectativa da CCEE e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) era de que os maiores geradores protegidos por liminares entregassem até o fim da semana passada uma proposta de repactuação, envolvendo a desistência das liminares e a extensão de suas concessões como contrapartida. A proposta foi o resultado de várias reuniões realizadas entre as empresas e membros da CCEE e da Aneel.

A crise do governo que estourou com a divulgação da delação da JBS, porém, travou as negociações, e a proposta ainda não foi entregue, segundo o Valor apurou. A CCEE deve atualizar as projeções do GSF e ao PLD ainda hoje.