31/05/2017

Siemens fecha novos contratos no brasil dentro do setor de geração distribuida

Fonte: Petro Notícias

O segmento de geração distribuída no Brasil despertou o interesse da Siemens, que inaugurou recentemente uma divisão focada neste segmento. Algumas mudanças em curso na regulamentação do mercado e o preço mais baixo de insumos e tecnologias trouxeram um ambiente favorável para novos negócios, de acordo com Guilherme Mattos, diretor da área de Energia Distribuída da Siemens no País. “O Brasil tem por volta de 11 mil consumidores fazendo sua geração distribuída. Mas até 2023 e 2024, a expectativa é de crescimento desse número para 1 milhão. Acreditamos que esse aumento vai acontecer e a Siemens não quer ficar de fora, queremos atuar neste setor“, afirmou o executivo. E o desejo da companhia em crescer dentro deste segmento já começou a dar bons frutos. A empresa já fechou este ano alguns importantes contratos, como um para projeto de geração distribuída de 14 MW em São Paulo e outro de microgrid para 12 usinas isoladas no estado do Pará.

Como atua a nova área da Siemens focada em geração distribuída?

A empresa resolveu investir nesse setor porque é um mercado que compra de maneira específica. Então, vamos oferecer produtos e soluções completas da Siemens para este mercado, atuando em vários setores, como indústria, universidades, comércio e infraestrutura. Não vamos focar em residencial, nosso alvo principal será o segmento industrial.

Iremos atuar com quatro pilares: cogeração; gerações alternativas – como plantas híbridas; energy storage* e microgrid**. Nossos projetos terão entre 100 kW e 100 MW.

O que a Siemens pretende fornecer neste mercado?

Somos grandes fornecedores com um portfólio completo nessa área. Na parte de geração, temos turbinas e motores movidos a diferentes combustíveis, como gás, diesel, e biogás; turbinas a vapor e turbinas eólicas. No segmento solar, a Siemens dispõe de inversores e controladores. A empresa também fabrica baterias. Enfim, temos o costume de dizer que a Siemens fornece produtos para todo o ecossistema elétrico. É um portfólio muito vasto. E o nosso diferencial é que venderemos uma solução completa. Compreendemos que alguns clientes não entendem sobre energia. Por isso vamos disponibilizar uma solução completa, incluindo serviço de manutenção, operação e até mesmo soluções financeiras, buscando linhas de financiamento.

Quais dessas soluções devem se adequar melhor ao mercado brasileiro?

Enxergamos que as cogerações industriais, que são projetos de energia distribuída com viés de eficiência energética, têm boa perspectiva em virtude da queda da tarifa do gás natural. Outro tipo de projeto interessante é o solar fotovoltaico, por causa das regulamentações que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está desenvolvendo, para aumentar o mercado de geração distribuída, e também pela queda de custos de tecnologias.

Qual a expectativa em relação ao crescimento da geração distribuída no Brasil?

É um pouco complicado falar em números exatos. Mas como a Aneel está fazendo resoluções que viabilizam a entrada de novos projetos, com a queda do gás natural e do preço de painéis fotovoltaicos, existe uma perspectiva bastante interessante. Segundo dados da própria Aneel, o Brasil tem por volta de 11 mil consumidores fazendo sua geração distribuída. Mas até 2023 e 2024, a expectativa é de crescimento desse número para 1 milhão. Acreditamos que esse aumento vai acontecer e a Siemens não quer ficar de fora, queremos atuar neste setor.

Quais devem ser as regiões com maior crescimento e demanda para este mercado nos próximos anos?

Vai ser bastante espalhado. Mas haverá uma concentração maior de projetos nos estados onde as concessionárias de energia possuem tarifas mais caras. Dessa forma, ficará mais fácil oferecer soluções de geração distribuída, porque são mais econômicas.

Qual o percentual de economia ao utilizar a energia distribuída?

Varia muito. Mas, de modo geral, você consegue ter de 10% a 50% de redução.

Quais os maiores desafios do setor de energia distribuída no Brasil?

Uma coisa que falta bastante são as linhas de financiamento específicas. Estamos trabalhando bastante com associações, com a Aneel, e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que linhas específicas possam ser criadas para deslanchar o setor. Isso vai trazer mais competitividade para indústria brasileira. Ao oferecer uma energia de qualidade para o comércio e a indústria, eles conseguirão gerar mais competitividade para o País.

A nova divisão da Siemens também terá atuação no desenvolvimento de tecnologias inovadoras?

A Siemens é muito forte em pesquisa e desenvolvimento. O que essa área vai fazer é captar a demanda do mercado e trazer para o Centro de Tecnologia da empresa. Se for necessário, iremos desenvolver. Temos centros de tecnologia no exterior e também no Brasil. Atuamos de maneira muito consolidada e com responsabilidade de evoluir tecnologias no Brasil.

E em relação a novos contratos? A nova área de geração distribuída já fechou algum?

Já fechamos alguns projetos este ano. Um de geração distribuída com gás natural em São Paulo, de 14 MW; outro projeto de microgrid para 12 usinas isoladas no estado do Pará e ainda uma outra usina de geração de 40 MW – que ainda não posso mencionar a localidade.