04/07/2017

Brasil será um dos principais mercados da recém-criada BHGE

Fonte: Valor Econômico

bhge

O Brasil será um dos principais mercados da BHGE, empresa criada a partir da fusão entre a unidade de negócios de petróleo e gás da GE (GE Oil & Gas) e a Baker Hughes, concluída ontem. De acordo com Lorenzo Simonelli, presidente mundial da BHGE, a companhia é a maior fornecedora de bens e serviços para campos petrolíferos do Brasil. O país, explicou, teve papel importante no negócio fechado entre as duas gigantes mundiais prestadoras de serviço para o setor petrolífero.

“Somos o maior player no Brasil e queremos manter isso”, afirmou Simonelli, em entrevista exclusiva ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. “O Brasil desempenhará um papel chave no futuro, sob a perspectiva de óleo e gás e vamos investir no longo prazo”, completou o executivo, destacando as oportunidades de negócios em projetos no pré-sal, em águas ultraprofundas do pós-sal e em áreas terrestres.

Da GE, a nova companhia incorpora ao seu portfólio sobretudo os equipamentos subsea (submarinos) e soluções digitais. Já da Baker Hughes, a BHGE herda principalmente as tecnologias de perfuração e completação (fase em que se prepara o poço para produção).

A BHGE passa a oferecer serviços integrados em praticamente toda a cadeia de exploração e produção e ganha musculatura para competir sobretudo com a Schlumberger, maior fornecedora global de bens e serviços para o setor. Outro benefício, ressaltou Simonelli, é a redução de custos e aumento de produtividade que a companhia proporcionará às clientes petroleiras, em um momento crucial de preço baixo do barril do petróleo.

Com um faturamento anual combinado, entre GE Oil & Gas e Baker Hughes, da ordem de US$ 23 bilhões (o equivalente a R$ 76 bilhões), a nova empresa supera a Halliburton (US$ 15,8 bilhões) e encosta na francesa Schlumberger (US$ 27,8 bilhões) em termos de receita global.

Simonelli não revelou qual é a participação do Brasil nos cerca de US$ 23 bilhões, com base em dados de 2006, mas contou que o Brasil, onde estão mais de 3 mil funcionários e muitas instalações da BHGE, “definitivamente” está no “Top-10” dos principais países para o grupo e que a Petrobras é uma das empresas “chave” para a qual a companhia pretende fornecer soluções.

Para ressaltar a importância do Brasil nos planos da nova empresa, o executivo lembrou que, nos últimos dois anos, GE Oil & Gas e Baker Hughes investiram US$ 282 milhões no país. Desse total, a Baker Hughes desembolsou US$ 100 milhões e a GE investiu o restante em expansão e modernização em unidades em Niterói e Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, e Jandira, em São Paulo. Simonelli também destacou o centro global de pesquisa da GE, localizado no Rio.

Além disso, entre 2013 e 2014, a GE arrematou contratos da ordem de US$ 1,3 bilhão com a Petrobras para fabricação de diferentes tipos de equipamentos, desde geradores elétricos para plataformas marítimas de produção de petróleo até manifolds (junção de tubos e canais) para águas ultraprofundas.

Ressaltando o potencial de recursos petrolíferos do Brasil e lembrando dos leilões de áreas exploratórias da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) previstos para este ano, sendo dois no pré-sal, o executivo ressaltou que a BHGE também pretende ampliar sua base de clientes locais, com destaque para outras petroleiras que estão investindo continuamente aqui, como Total e Statoil. O executivo explicou ainda que pretende fazer visitas frequentes ao país para se reunir com clientes.

Questionado sobre a possibilidade de aquisição de outras empresas da cadeia de fornecedores da indústria de petróleo e gás do Brasil, Simonelli explicou que não descarta essa possibilidade no futuro. “Primeiro vamos ter certeza de que a integração foi bem sucedida, em linha com as expectativas dos clientes e então estaremos sempre olhando oportunidades para crescer e beneficiar nossos clientes.”

Após concluir a fusão, ontem, a BHGE terá cerca de 70 mil funcionários, com operações em mais de 120 países e 125 anos de experiência, com expertise para fornecer soluções tanto em exploração e produção (perfuração, completação e produção), como “midstream” (infraestrutura para gás natural liquefeito, dutos e armazenamento) e refino e petroquímica.

A GE terá 62,5% de participação na BHGE, enquanto acionistas da Baker Hughes ficarão com 37,5%. Esses acionistas terão direito ainda a um dividendo extraordinário de US$ 17,50 por ação, que será pago em 6 de julho. As ações da Baker Hughes deixarão de ser negociadas após o fechamento de hoje da bolsa de Nova York (Nyse). E os papéis da BHGE passarão a ser negociados em 5 de julho.

A associação com a GE não é a primeira tentativa da Baker de se unir à concorrência. Em 2015, a companhia já havia anunciado um acordo de fusão com a Halliburton, em um negócio avaliado em US$ 35 bilhões. A operação, no entanto, acabou não avançando devido a dificuldades em obter aprovação dos órgãos de defesa da concorrência em vários continentes, inclusive no Brasil.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na época, declarou que a fusão entre as duas empresas era “complexa”.

A GE também fez uma série de aquisições no setor petrolífero nos últimos anos, como a compra da Wellstream, fabricante de tubos flexíveis e equipamentos submarinos, por US$ 1,3 bilhão, em 2011.