03/07/2017

Canadian Solar pensa no Brasil no longo prazo

Fonte: Valor Econômico

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A fabricante de painéis solares Canadian Solar prevê ajustar sua estratégia no Brasil enquanto não forem realizados novos leilões de geração de energia solar fotovoltaica, mas não considera deixar o país, disse, em entrevista ao Valor, Thomas Koerner, vice-presidente da companhia.
“Temos um compromisso forte com o Brasil, esperamos executar o desenvolvimento significativo de projetos. Acreditamos completamente no mercado brasileiro não apenas no curto prazo, mas também no longo prazo”, afirmou Koerner.

A Canadian Solar inaugurou, em dezembro do ano passado, a sua fábrica em Sorocaba, interior de São Paulo, com capacidade de produção de 400 megawatts (MW) por ano em módulos fotovoltaicos. Em junho de 2016, quando foi tomada a decisão sobre sua estreia no Brasil, a companhia previa investir até R$ 2,3 bilhões no país.

O montante envolvia a implantação de cerca de 400 MW em projetos de energia solar fotovoltaica no país, além da montagem da linha de produção dos painéis solares na fábrica de Sorocaba, que pertence à multinacional Flextronics e foi adaptada às necessidades da Canadian.
Desde então, a Canadian vendeu a maior parte de dois projetos de geração solar para a francesa EDF Energies Nouvelles.

A EDF assumiu 80% do projeto fotovoltaico Pirapora I, de 191,5 MW de potência, e também 80% do Pirapora II, de 115 MW, ambos localizados em Minas Gerais. A Canadian permaneceu com 20% de cada um dos complexos.
Segundo Koerner, as vendas foram movimentos “naturais” para a companhia. “Iniciamos os projetos, os desenvolvemos e executamos a construção, mas nunca ficamos com os ativos no longo prazo. Nós desenvolvemos e vendemos”, disse.

O principal foco da companhia no país segue como o fornecimento dos painéis solares, tanto para geração centralizada quanto para geração distribuída.
Um problema enfrentado no setor é relacionado à demanda em geração centralizada, que tende a cair devido à falta de leilões de energia solar. Por enquanto, a Canadian não tem sofrido com isso. “Ainda temos muitos projetos, uma demanda forte”, disse Koerner.

Para lidar com a falta de leilões, a companhia considera desenvolver projetos de geração solar para o mercado livre, mas vê alguns obstáculos para isso. “Primeiro, precisamos da demanda, de alguém que compre a energia. A segunda coisa é o prazo do contrato e quanto o cliente vai pagar. Em terceiro são os custos de conexão, tudo isso, e avaliar se compensa.”

Outro ponto é o financiamento. “O Brasil, infelizmente, ainda tem um risco muito elevado, e a taxa de juros alta. Não é fácil ser lucrativo o suficiente para que o projeto seja atrativo”, afirmou.
Apesar disso, o Brasil continua sendo a principal economia da América Latina, com enorme potencial para o desenvolvimento da fonte solar. “Acredito que o mercado vai se desenvolver muito, a demanda no longo prazo deve crescer. Essa é uma alternativa em relação às hidrelétricas, que dependem muito de chuvas e dos níveis dos reservatórios”, disse.

A queda do custo da energia solar também deve incentivar o desenvolvimento da fonte. “Queremos garantir que a energia solar seja competitiva, e o custo tem caído significativamente.”