26/07/2017

CPFL: Reforma do setor preserva o negócio de distribuição e pode até melhorar no futuro

Fonte: Canal Energia

Separação de fio e energia reduz risco das concessionárias e abre espaço para geração de novas receitas com oferta de serviços

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A proposta de reforma do setor elétrico preserva o negócio de distribuição e pode até melhorar os resultados das concessionárias no futuro. Essa é a avaliação de André Dorf, presidente da CPFL Energia, que conversou com jornalistas em um café da manhã realizado na sede da empresa em Campinas (SP), nesta terça-feira, 25 de julho.

Uma das mudanças pensadas pelo Ministério de Minas e Energia é a separação do fio e da energia, conceito conhecido como tarifa binômia. Neste modelo, a receita das distribuidoras será formada apenas pela disponibilização e operação da rede, ficando afastado o atual risco de compra de energia (parcela A).

“Não vai haver redução do faturamento da distribuição. O faturamento como é hoje não reflete a operação porque tem o pass through da energia. Portanto, o resultado da companhia deveria continuar o mesmo ou até melhorar no futuro”, disse Dorf.

Segundo Luis Henrique Ferreira Pinto, vice-presidente de Operações Reguladas da CPFL Energia, de cada R$ 100,00 reais de faturamento de uma distribuidora, 80% é repassado para cobrir os custos de energia, impostos, tributos, encargos, restando apenas 20% para remunerar o negócio da distribuidora. “Essa parte continua e você ainda tem a possibilidade de agregar outros serviços”, lembrou.

Em um modelo de ampliação do mercado livre, as comercializadoras ficariam responsáveis por essa gestão da energia, cabendo a distribuidora oferecer serviços de corte e religação de consumidores e cobrar por isso. “A distribuidora continua sendo remunerada da mesma forma, só que agora sem correr os riscos dos quais ela não é remunerada”, resumiu Karin Luchesi, vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL.

Dorf também aprovou a proposta que tira a responsabilidade de compra de energia das distribuidoras. Pelo texto, a centralizadora de contratos, que eventualmente poderá ser a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), ficará responsável por realizar essa compra, trazendo a reboque uma definição de tarifa média para o Brasil.

Neste novo modelo de negócio, há uma preocupação do setor com o incentivo que a distribuidora terá para reduzir as perdas comerciais em um contexto onde a gestão da energia não fará mais parte do faturamento das concessionárias. Hoje, 30% das perdas totais de energia são oriundas de furtos de energia e 70% são as chamadas perdas técnicas do processo de transmissão e distribuição.

Para Dorf, é possível criar um mecanismo que incentive a distribuidora a investir em redução de perdas, desde que a concessionária possa comercializar parte desse ganho no mercado livre.