12/07/2017

Eletricidade já lidera investimento em energia

Fonte: Valor Econômico

Eletricidade (1)

A energia elétrica atraiu mais investimentos que os combustíveis fósseis pela primeira vez no ano passado com o setor da energia se preparando para uma onda de eletrificação que abrangerá carros, edifícios e processos industriais.

Projetos de geração de energia e expansão da rede elétrica captaram US$ 718 bilhões, 42% do total de US$ 1,7 trilhão investido em energia no ano passado, segundo relatório divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia (AIE). A oferta de petróleo, gás e carvão captou US$ 708 bilhões, menos que no ano passado, uma queda que reflete os preços e os lucros mais baixos obtidos pelas principais empresas de petróleo.

As conclusões são mais um marco da mudança no setor energético mundial, que está se afastando dos combustíveis mais poluentes à medida que os governos reagem às ameaças impostas pelo aquecimento global e que o custo de energias renováveis – como eólica e solar – cai e concorre com o dos combustíveis fósseis.

“Petróleo e gás foram o maior destino de investimento por cem anos. Isso mudou em 2016”, disse Laszlo Varro, economista-chefe da AIE. “Com um investimento sólido em energia renovável e maior investimento nas redes elétricas, a eletricidade passou a ser a maior área de investimento de capital.”

A energia renovável e as redes ficaram com 80% de todo o investimento em eletricidade, de acordo com cálculos da AIE. Novos projetos de energia não poluente atraíram US$ 297 bilhões em 2016, um declínio de 3% em relação ao ano anterior, causado pelo barateamento de painéis solares e turbinas eólicas. As instalações cresceram 5% durante esse período.

Os projetos de energia exigem muito capital, e o desenvolvimento e a construção levam anos, por isso as decisões tomadas e o dinheiro gasto hoje dão uma ideia de como será o sistema energético nas próximas décadas. A transição de fluxos de capital dos combustíveis fósseis para a eletricidade, em particular fontes não poluentes, como solar e eólica, revela que a tendência desencadeada pelo acordo climático de Paris está repercutindo no setor de energia.

A China recebeu mais de um quinto do investimento global. O país mais populoso do mundo gastou menos em usinas movidas a carvão por causa da pressão pública para limitar a poluição. As companhias investiram em projetos de geração e redes de eletricidade de baixo carbono, respondendo por 65% do total global, com US$ 259 bilhões.

O investimento no sistema de energia dos EUA cresceu 16%, impulsionado pela energia renovável, segundo o relatório. A AIE não prevê o ressurgimento do setor de carvão, embora o presidente Donald Trump tenha prometido fortalecer a mineração.