18/07/2017

Expansão das térmicas a gás dependerá de preços e oferta

Fonte: Brasil Energia

Plano Decenal prevê entrada de 1,5 mil MW, mas depende da conjuntura de mercado, segundo Amílcar Guerreiro, da EPE

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A EPE prevê no Plano Decenal de Energia (PDE 2026), uma capacidade instalada de energia térmica a gás de aproximadamente 1,5 mil MW, mas esse volume dependerá dos preços e da oferta do gás. Caso essa conjuntura seja favorável, essa expansão poderá até ser superior. Isso porque ainda existem dúvidas sobre o quanto o pré-sal irá ofertar em termos de gás natural e preço que será praticado. A perspectiva é que o valor varie entre US$ 5 por milhão de BTU a US$ 9 por milhão de BTU, segundo diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Amílcar Guerreiro.

O diretor da EPE disse que esse é um dos fatores que serão considerados no cenário indicativo para os próximos dez anos. Caso a oferta de gás se mostre viável e os preços sejam considerados adequados, o órgão também considera incluir, no futuro, mais térmicas no planejamento, mas para não haver uma oferta muito maior que a demanda, poderá ocorrer o deslocamento de fontes renováveis para inclusão de mais usinas do tipo. O superintendente de Planejamento da Geração, Jorge Trinkenreich, disse que embora não estejam destacadas no PDE, as térmicas a carvão poderão também surgir no horizonte de planejamento, caso sejam adequadas às exigências ambientais.

Mas sobre das térmicas planejadas para o horizonte até 2026, o diretor explicou que o PDE considera no cenário as usinas Novo Tempo e Rio Grande, negociadas originalmente pelo grupo Bolognesi (a primeira usina foi vendida para a Prumo), que estão com o início de operação postergado para 2021, mas também está preparado para um cenário em que elas não entrem em operação como previsto. Diz ainda que espera que a Aneel resolva até o próximo mês a questão das usinas, com a entrega dos documentos que estão sendo exigidos da empresa como a comprovação da estruturação financeira, obtenção das licenças ambientais, contratos de fornecimento de gás, entre outros.

Guerreiro também descartou que a EPE esteja planejando leilões especificamente para térmicas a gás, mas considera a hipótese que estas usinas sejam incluídas em concorrência com outras fontes, com prazos de conclusão próximos, como um certame A-5, indicado para este tipo de empreendimento ao lado de usinas hidrelétricas.

Porém, destaca que há uma necessidade de ter usinas disponíveis para atender à complementaridade das eólicas e solares, intermitentes, mas com grande potencial de geração quando disponíveis.