01/08/2017

Etanol tende a ganhar competitividade nos postos

Fonte: Valor Econômico

etanol competitivo

Em uma semana de idas e vindas envolvendo as novas alíquotas de PIS e Cofins sobre os combustíveis, os preços do etanol hidratado (usado diretamente nos tanques) subiram na maior parte das bombas do país, mas em geral em um ritmo menor que o das altas da gasolina.

O biocombustível ficou mais caro em 24 Estados e no Distrito Federal entre 23 e 29 de julho na comparação com a semana anterior e só caiu em um, Roraima, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Não houve levantamento no Amapá.

Em 20 Estados, os preços da gasolina subiram mais. Já nos Estados que concentram a maior parte do consumo de biocombustível, os preços do etanol tiveram altas maiores, mas a relação entre os preços de cada um ainda apontou vantagem para o biocombustível.

Foi o caso de São Paulo e Mato Grosso, Estados em que o preço do etanol subiu com mais força, mas continuou abaixo do patamar de 70% do valor da gasolina, referência de vantagem econômica ao biocombustível. Nos postos paulistas, o preço do etanol subiu 10,9% em apenas uma semana, para R$ 2,381 o litro. Ainda assim, esse valor representou 67,8% do da gasolina.

Os movimentos ainda não refletiram a última alteração da alíquota de PIS/Cofins sobre o etanol, que foi reduzida em R$ 0,0855 o litro na sexta-feira após a elevação das tarifas pelo governo, que chegou a ser suspensa judicialmente no meio da semana. No fim das contas, a elevação da alíquota sobre o etanol passou a R$ 0,24 o litro, e não a R$ 0,32 o litro.

Para Elizabeth Farina, presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), essa última correção devolve parte da competitividade do etanol, mas não recompõe a perda que o setor teve no início do ano. Em janeiro, expirou a isenção do PIS/Cofins sobre o etanol, e voltou a valer uma alíquota de R$ 0,12 o litro.

A expectativa é que a relação entre os preços do etanol e da gasolina fique ainda mais vantajosa para o biocombustível na bomba, disse Tarcilo Rodrigues, presidente da comercializadora Bioagência. “Isso vai trazer mais demanda no curto prazo. Até porque o orçamento do consumidor está limitado”. Ele acredita que a demanda doméstica possa se aproximar dos 1,2 bilhão de litros de etanol por mês entre julho e agosto.