28/08/2017

Oceano é fonte potencial a ser explorada

Fonte: Valor Econômico

oceano

A fronteira da tecnologia na geração de energia aponta uma saída para o mar. Especialistas estimam em uns vinte anos o tempo para que a energia das ondas, das correntes marítimas, do fluxo das marés, das variações térmicas dos oceanos e até do gradiente de salinidade no encontro com a água dos rios tenha viabilidade econômica, mas o potencial é imenso.

O relatório “Energia Renovável – hidráulica, biomassa, eólica, solar, oceânica”, lançado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no ano passado, revela que os oceanos têm capacidade teórica para produzir o equivalente a vinte vezes o que o mundo consumiu de energia em 2013. São 2.050.000 de terawatts por hora ao ano (TWh/ano). Por ser considerada limpa, de alta densidade energética e com distribuição mundial, pode ter lugar de destaque na matriz energética global. Por enquanto, quase tudo se resume a muita pesquisa e alguns poucos projetos.

Até o fim de 2014, a capacidade instalada em projetos de geração oceânica era de 534 megawatts (MW). A maior parte está na categoria maremotriz, que produz energia a partir da variação das marés. A potência está concentrada em dois grandes projetos. A usina de La Rance, na França, opera desde 1996 e produz 240 megawatts (MW). No Lago Siwa, na Coreia do Sul, uma barragem de maré que entrou em funcionamento em 2011 gera 252 MW.

O projeto de MeyGen, na Escócia, liderado pelo consórcio Atlantis Resources Limited/ Morgan Stanley vai produzir mais: 400 MW. Outros planos significativos existem para aproveitar o potencial estimado de 1,8 gigawatts (GW) dos fluxos de maré existente entre a ilha de Alderney, no Reino Unido, e o Cabo de La Hague, na França. Existem projetos em desenvolvimento no Centro Europeu de Energia Marinha (EMEC), além de testes de dispositivos nos Estados Unidos e no Canadá. Grandes companhias petrolíferas, entre elas a Petrobras, tentam atravessar a fronteira tecnológica com a geração de energia a partir das correntes marítimas em águas profundas para o suprimento dos campos de exploração e produção.

No Brasil, o projeto mais conhecido foi o de um conversor de ondas instalado em terra no Porto de Pecém, no Ceará. O protótipo, com capacidade para gerar 100 quilowatts (kW), foi desenvolvido e implantado pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A pesquisa foi realizada em 60 meses, conforme contrato com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e concluída em 2014.
“Os testes comprovaram a viabilidade técnica de conversão da energia potencial das ondas do mar em energia elétrica no primeiro experimento da tecnologia na América Latina”, afirma Eduardo Sattamini, presidente da Engie Brasil Energia, que participou do projeto com um investimento de R$ 17,2 milhões.

A experiência de Pecém ajuda agora no desenvolvimento de um conversor de ondas offshore que será instalado no litoral do Rio de Janeiro. Nesse caso, a energia gerada deve ser transmitida para a terra por cabos submarinos. O projeto é financiado por Furnas no âmbito do Programa P&D da Aneel e executado pela Coppe/UFRJ em parceria com a Seahorse Wave Energy, empresa nacional de base tecnológica voltada para as energias renováveis do oceano instalada na incubadora de empresas da UFRJ.

“Nas universidades e centros de pesquisa o desafio é dar vazão ao mundo de amanhã”, diz o Segen Estefen, professor de engenharia oceânica da Coppe/UFRJ. “Ainda será preciso um bom tempo e investimentos em pesquisa para tornar viável economicamente a energia dos oceanos”, afirma Paulo Cunha, consultor da FGV Energia, da Fundação Getúlio Vargas.