28/08/2017

Produção no pré-sal fica mais eficiente

Fonte: Valor Econômico

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A perspectiva de manutenção de baixos preços do petróleo, com impacto sobre o faturamento, combinada à instabilidade econômica do país, é apontada pela indústria petrolífera como fator inibidor de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Por outro lado, o mundo do petróleo sabe que sem metas de incorporação de PD&I não há alternativas de negócio. Ainda mais diante dos desafios impostos por transformações no padrão global de demanda.

“A busca por tecnologia é a grande aliada do setor de petróleo e gás para acelerar produção, reduzir custos e ampliar produtividade”, destaca o secretário-geral do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Milton Costa Filho.

Segundo ele, a preocupação do setor é manter a vanguarda tecnológica conquistada pelo Brasil ao longo dos anos, com a exploração de águas profundas e ultraprofundas liderada pela Petrobras.

A Petrobras compara resultados: até 2010, o tempo médio para construção de um poço marítimo no pré-sal da Bacia de Santos era de cerca de 310 dias. Com a introdução de tecnologias de ponta e aumento de eficiência, em 2015, esse tempo baixou para 128 dias. E em 2016, para 89 dias, com redução de 71%. Em apenas três anos, a diminuição de custos de poços gerou economia de US$ 1,96 bilhão.

Graças à tecnologia intensiva, a Petrobras atingiu em julho produção de 2,74 milhões de barris por dia de petróleo, sendo 1,61 milhão de barris diários da camada do pré-sal. É também no pré-sal que cinco soluções tecnológicas pioneiras estão sendo aplicadas pela empresa no Teste de Longa Duração (TLD) de Libra (equipado com injeção total de gás), previsto para entrar em operarão no terceiro trimestre deste ano.

A estatal do petróleo prevê investir US$ 3 bilhões em P&D e na infraestrutura do Cenpes, o centro de pesquisa da empresa, no período do Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. O valor é projetado em função do crescimento da curva de produção. Isto decorre da atual regulamentação do setor, que prevê, por meio das cláusulas dos contratos de concessão, que as empresas petrolíferas invistam em P&D montante de 1% da receita bruta dos campos em produção.

No período de 1998 até início de 2017, o total para investimentos pela cláusula de PD&I superou R$ 12 bilhões. A partir de 2014 houve redução dos valores, devido à queda do preço do petróleo e da receita bruta dos campos. A expectativa é que os montantes voltem a crescer com o aumento da produção do pré-sal.

Diante dos crescentes desafios, a gerente de tecnologia e inovação do IBP, Melissa Fernandez, acredita que a tendência do setor será intensificar parcerias para projetos de P&DI, compartilhando custos e resultados.

O modelo é seguido pela Petrobras, em parceria com mais de 100 universidades, instituições de pesquisa e empresas. O objetivo é alavancar oportunidades de negócio, como foi a recente aliança com a petroleira francesa Total para projetos conjuntos de P&D.

“Em momentos de retração econômica e baixos preços do petróleo, o grande desafio das empresas é ampliar investimento em inovação para aumentar competitividade”, diz o chefe do Departamento de Gás e Petróleo (Degap), do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Luís André D’Oliveira. A carteira de financiamento banco à inovação no setor soma cerca de R$ 900 milhões, a maior parte para tecnologias do pré-sal. São projetos da Petrobras, da MFX (cabos umbilicais), da Aker (árvore de natal molhada), Flexibras (tubos flexíveis), Radix (soluções da indústria 4.0), entre outros.