26/09/2017

AES Tietê compra complexo solar do Grupo Cobra

Fonte: Valor Econômico

A AES Tietê celebrou um acordo para ficar com o complexo Bauru Solar, do espanhol Grupo Cobra, que tem 180 megawatts-pico (MWp) de potência, por até R$ 650 milhões. O projeto, que está em fase avançada de construção, deve entrar em operação até maio do ano que vem.

A aquisição vai contribuir com a estratégia de crescimento da AES Tietê, que tem como objetivo compor 50% de seu Ebitda com fontes não hidráulicas até 2020. Além disso, a localização do complexo solar no estado de São Paulo deixará a companhia mais próxima de cumprir a obrigação de expansão da geração no estado, disse ao Valor o presidente da empresa, Ítalo Freitas.

Quando a AES adquiriu a Cesp Tietê do governo de São Paulo, há quase 20 anos, assumiu também a obrigação de expandir seu parque gerador em São Paulo em cerca de 400 MW. Segundo Freitas, considerando este complexo solar, o parque Boa Hora – que está em processo de transferência da licença para o estado e deve ocupar a área próxima da hidrelétrica de Água Vermelha -, e outras pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), faltará apenas cerca de 100 MW em expansão.

O prazo original para o cumprimento da expansão era até 2007, mas a companhia tem negociado com o governo paulista desde então uma prorrogação. “Já tem um tempo que precisamos concluir isso. O governo de São Paulo está muito aberto e vendo todo o investimento que estamos fazendo. Esse projeto mostra que temos toda a vontade de cumprir a obrigação”, disse Freitas.

A AES Tietê está preparada para participar dos dois leilões de energia nova previstos para dezembro, do tipo A-4 e A-6. Segundo o executivo, a prioridade é contratar novos projetos de energia solar em São Paulo. A companhia tem a possibilidade de expandir o complexo Bauru Solar, além de ter outros 90 MW em Água Vermelha, adicionais aos 91 MW do contrato do parque solar Boa Hora.

Depois de concluir a obrigação da expansão, a Tietê vai aumentar os esforços para diversificar as fontes de energia, voltando a olhar projetos de energia eólica.

Quanto ao complexo Bauru Solar, localizado em Guaimbê, interior de São Paulo, o acordo prevê a aquisição em duas etapas. Na primeira, a AES Tietê vai investir até R$ 470 milhões em debêntures a serem emitidas entre setembro de 2017 e março de 2018, por cinco sociedades de propósito específico (SPEs) subsidiárias do Grupo Cobra.

Esses recursos serão utilizados para financiar a construção do complexo solar, que está, neste momento, na fase de instalação das estruturas metálicas. As placas solares, compradas na China, estão sendo trazidas ao Brasil.

Num segundo momento, depois da conclusão da obra, a AES Tietê deve desembolsar outros R$ 180 milhões, por meio de um aumento de capital nas SPEs do complexo solar. Com isso, vai comprar a participação acionária residual que o Grupo Cobra tiver no ativo.

“É um negócio interessante. Será como nós emprestarmos o dinheiro em vários tranches. Ao final da construção, veremos as condições do projeto e vamos transformar essa dívida em propriedade do ativo”, disse Freitas.

O complexo solar teve autorização outorgada no leilão de energia de reserva (LER) realizado em 31 de outubro de 2014, com energia contratada por 20 anos ao preço médio de R$ 218,85 por megawatt-hora (MWh).

Segundo Freitas, o projeto tem um retorno “adequado” às exigências dos investidores estrangeiros, “ao mesmo tempo em que traz o benefício de atender a obrigação da expansão.”

Além da aquisição, a AES Tietê informou ontem que concluiu a compra do projeto do complexo solar Boa Hora, por R$ 75 milhões. Nesse caso, adquiriu apenas os contratos de compra de energia (PPA, na sigla em inglês), uma vez que a construção ainda não foi iniciada. O objetivo da AES Tietê é trazer o projeto da usina para o interior de São Paulo, próximo da usina de Água Vermelha. O pleito ainda está sendo avaliado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).