13/09/2017

Eletropaulo caminha para Novo Mercado

Fonte: Valor Econômico

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O resultado da assembleia geral extraordinária (AGE) que aprovou ontem a migração da Eletropaulo para o Novo Mercado da B3, com 60,36% de votos favoráveis pelos acionistas preferencialistas, foi uma boa resposta do mercado à estratégia da companhia, segundo o presidente da AES Brasil, Julian Nebreda.

“O resultado da votação é uma boa mensagem de apoio do mercado”, disse o executivo, afirmando que os investidores estão otimistas com relação à elétrica.

Nebreda disse que a migração para o segmento máximo de governança da bolsa, com a conversão de todas as ações preferenciais (PN) da companhia em ordinárias (ON), na proporção de um para um, é parte essencial da estratégia da empresa, que contempla a melhoria operacional, a redução de riscos ao investidor e o aperfeiçoamento da governança corporativa.

Os acionistas que se abstiveram de votar ou votaram contra a conversão das ações poderão exercer o direito de retirada – na prática, venderem suas ações para a Eletropaulo – durante os próximos 30 dias, quando enfim será concluída a migração. De acordo com comunicado sobre o assunto, a Eletropaulo poderá propor a reconsideração da potencial migração caso o direito de retirada afete a estabilidade financeira da empresa. Nebreda, porém, disse considerar baixa a possibilidade de recuo, dado à forte resposta dos preferencialistas pela migração.

O executivo acrescentou que a migração tornará mais simples a estrutura acionária da Eletropaulo, o que vai melhorar o acesso da companhia ao mercado financeiro, embora não haja nenhum plano nesse sentido neste momento.

Nebreda contou ainda que o movimento é importante, não só pelo viés financeiro, mas por mostrar a visão positiva da companhia com relação ao setor elétrico e ao Brasil.

A AES Brasil possui 50,51% das ações ON da Eletropaulo, representando 16,8% do total. Já a BNDESPar, braço de participações do BNDES, tem 22,5% das ON e 16,8% das PN, somando 18,7% do total. Com a conversão das ações preferenciais, as duas controladoras da empresa passarão a ter, respectivamente, 16,8% e 18,7%, das ações ON, tornando a estrutura de capital da elétrica mais pulverizada.

Questionado sobre possíveis aquisições de ativos ou empresas no Brasil, Nebreda contou que a AES Brasil está olhando oportunidades de investimentos no mercado de energia elétrica brasileiro. Ele, no entanto, não mencionou algum negócio ou ativo em especial.

“Nós, como empresa, estamos buscando oportunidades para fazer investimentos no mercado. Estamos olhando oportunidades e temos uma visão otimista do futuro. E apoiamos o processo de melhora regulatória que o governo está tentando levar a cabo”, afirmou o executivo, destacando que, tanto o mercado de energia elétrica quanto a economia do país, estão reagindo à crise.