06/09/2017

Samarco pede nova licença para retomar operação

Fonte: Valor Econômico

samarco

Depois de um longo impasse, a mineradora Samarco apresentou ao governo de Minas Gerais o pedido de licença para voltar a operar em seu complexo de extração de minério de ferro em Mariana (MG). A empresa protocolou, na sexta-feira, na Secretaria de Meio Ambiente do Estado, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do pedido de licenciamento operacional corretivo (LOC).

A Samarco diz que não trabalha com nenhuma estimativa sobre quando poderá ter aval do órgão estadual para retomar suas atividades. A expectativa inicial de que a reativação dos trabalhos pudesse ocorrer ainda em 2017 já foi descartada pela empresa em meados do ano.

Pertencente à Vale e à BHP, a Samarco está parada desde novembro de 2015, quando uma de suas barragens de rejeito de minério, a barragem de Fundão, se rompeu. O incidente provocou a morte de 19 pessoas e uma tragédia ambiental ao longo do rio Doce.

Por meio de um comunicado divulgado na tarde de ontem, a mineradora informou que o estudo levado à secretaria estadual fala de “uma retomada gradual das atividades”. O plano da empresa era voltar com 60% de sua capacidade de operação. Mas esse era o cenário caso a estrutura de funcionamento fosse mantida.

No entanto, por uma discordância que levou meses de discussão e disputa na Justiça com a prefeitura de Santa Bárbara (MG), município de onde a empresa captava água para ser usada na sua estrutura de mineração e beneficiamento no seu complexo em Mariana, a Samarco terá de buscar água de outras fontes. A solução encontrada, segundo a empresa, foram fontes dentro do complexo.

“O projeto de retomada considera o uso exclusivo de fontes internas de água já outorgadas, já que a Prefeitura de Santa Bárbara não concedeu autorização para a captação de água que já era feita no município desde 2014”, informou a empresa.

Além dessa licença corretiva, a Samarco precisa ainda de outra, que a permita usar a chamada Cava Alegria Sul, que servirá de depósito provisório dos rejeitos de minério de ferro que serão produzidos uma vez que a empresa volte a operar. Esse licenciamento também está tramitando da Secretaria de Meio Ambiente de Minas.

A empresa ainda mantém parte de seus funcionários em regime de lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho). Evitando a demissão do pessoal.

“Independentemente dos processos de licenciamento para viabilizar o retorno operacional da empresa, a Samarco segue comprometida com os planos de reparação dos impactos decorrentes do rompimento de Fundão”, disse a empresa. “De novembro de 2015 até julho de 2017, foram desembolsados R$ 2,3 bilhões para ações de reparação e compensação.”