22/09/2017

Usina afetada por desastre da Samarco continua desligada

Fonte: Valor Econômico

usina afetada pela samarco

Desativada há quase dois anos por causa da tragédia com a mineradora Samarco em Minas Gerais, a hidrelétrica Risoleta Neves precisará ainda de mais um ano para operar novamente. A usina pertence à Vale e à empresa de energia elétrica de Minas, Cemig.

Em novembro de 2015, quando a barragem de Fundão, da Samarco, se rompeu na cidade de Mariana (MG), a onda de rejeito de minério de ferro cobriu afluentes do rio Doce, o próprio rio Doce e chegou até a costa do Espírito Santo. A maior parte desse rejeito, no entanto, ficou represado pela estrutura da usina.

A hidrelétrica fica a cerca de 100 km da área da Samarco em Mariana e foi desligada para evitar danos nas turbinas.

A Samarco passou a dragar um trecho do rio Doce próximo da usina com o objetivo de permitir seu religamento. Mas além da dragagem, a empresa decidiu construir barreiras de aço dentro do rio para evitar que mais rejeito continuasse a chegar na área da usina. No fim do ano passado, a mineradora trabalhava em duas barreiras. Depois, adicionou mais uma ao projeto.

Agora, a última das três dessas barreiras está para ser concluída. “A gente termina o último barramento em outubro”, afirmou Roberto Waack, presidente da Fundação Renova. A fundação é a entidade responsável por medidas para lidar com os efeitos do desastre de 2015. A Renova é mantida por Vale e BHP, acionistas da Samarco.

“Esses barramentos estão claramente tendo um efeito muito importante de evitar que esse rejeito vá chegando na faixa de 400 metros [antes da hidrelétrica] que precisam ser preservados para que a usina possa voltar a operar”, disse ele a jornalistas. Waack participou ontem do 17º Congresso Brasileiro de Mineração, em Belo Horizonte.

Inicialmente, os planos da Samarco eram retirar o rejeito do leito do rio perto de Candonga até o fim do ano passado. Mas o cronograma foi sofrendo revisões. Segundo Waack, o plano atual é retirar, até o meio de 2018, o rejeito que nas proximidades da usina. Com isso, disse ele, a hidrelétrica estaria em condições de ser religada.

“A gente acha que até o fim do ano [de 2018] a usina possa estar funcionando normalmente”, afirmou Waack. O rejeito a ser retirado será depositado em uma fazenda adquirida para esse fim nas proximidades de Candonga.

Waack afirmou que um dos grandes desafios técnicos da Samarco é a operação de limpeza da área da hidrelétrica.

A Renova está encarregada também dos projetos de construção de casas de famílias que tiveram suas moradias destruídas pela tragédia, pela recuperação de nascentes e dos rios, de obras de sistema de abastecimento de água de cidades que ficam às margens do rio Doce, indenizações, entre outras medidas.

Waack admitiu que as ações estão em uma velocidade aquém do esperado pelas famílias atingidas, mas reafirmou que a Renova e as mineradoras estão comprometidas em levar adiante as medidas definidas em um acordo firmado no ano passado com União e governos dos Estados de Minas e Espírito Santo.

Dezenove pessoas morreram com o desabamento da barragem da Samarco e cerca de 500 mil pessoas foram atingidas direta ou indiretamente pelo desastre.