27/10/2017

Bambu vai estrear em óleo e gasodutos

Fonte: Valor Econômico

O bambu é um grande negócio na China. As florestas cobrem cerca de 6 milhões de hectares e números recentes indicam que a indústria vale US$ 24,6 bilhões. A China também tem muitos dutos – cerca de 120 mil quilômetros só para petróleo e gás. Parece ter sido uma questão de tempo até os dois se unirem.

Quem os aproximou foi Ye Ling, pioneiro na tecnologia de dutos de bambu enrolados, em 2006. No ano seguinte, ele criou uma equipe de pesquisa e desenvolvimento para testar a viabilidade do conceito. “A pesquisa culminou em aplicações industriais em setembro de 2016”, diz Ye. “Temos agora três centros de produção em operação”.

Ye é presidente do conselho da Zhejiang Xinzhou Bamboo-based Composites Technology Co., Ltd. (Xinzhou Bamboo) e diretor do Centro de Pesquisa de Engenharia para Enrolamento de Compósitos de Bambu (ERCBWC). Suas iniciativas coincidem com uma crescente demanda por óleo e gasodutos: estima-se que, na China, até 2020, eles cheguem a 150 mil quilômetros, avançando para 240 mil quilômetros até 2025.

Mas como o bambu pode ser transformado em dutos? A chave é a torção. O bambu possui boa elasticidade e flexibilidade, por isso pode ser facilmente processado através da tecelagem e do enrolamento. Os dutos de compósito de bambu enrolados com adesivo de resina são à prova de fogo, impermeáveis e anti-sísmicas. Eles fornecem bom isolamento térmico e elétrico, são resistentes à corrosão e podem suportar altas pressões.

E, ao contrário do plástico, do aço, do cimento e de outros materiais tradicionais, eles são “verdes”, dado que o bambu é um recurso sustentável, de baixa emissão de carbono e com um ciclo de crescimento curto. “Substituir dutos tradicionais por outros de compósitos de bambu enrolados significa substituir materiais não-renováveis, altamente poluentes e de alto consumo de energia por recursos renováveis”, afirma Ye. Também significa economizar dinheiro: estimativas conservadoras apontam redução de custos de 20%.

Munido com esses argumentos, Ye sustenta que os dutos de compósito de bambu devem ser o material preferencial em várias áreas, como indústria de petróleo e gás, sistemas municipais de água, irrigação, telecomunicações e indústrias químicas. A tecnologia também pode ser adaptada para o uso em vagões de alta velocidade, fuselagens de aeronaves e equipamentos militares.
A Xinzhou Bamboo é a única empresa a se especializar em materiais feitos de compósitos de bambu. Ye diz que gostaria que isso mudasse e trabalha para espalhar o “evangelho de bambu” em todo o mundo. Para isso, conta com 66 patentes e o apoio do governo chinês, que declarou que o duto de compósito de bambu enrolado é uma tecnologia nacional fundamental de baixa emissão de carbono. A administração florestal da China calcula que 500 unidades de produção em larga escala para materiais de bambu enrolado serão construídas na China até 2020, com produção anual de 10 milhões de toneladas e valor total de produção em US$ 29,4 bilhões.

Os esforços promocionais de Ye incluem a participação em seminários internacionais e acordos de cooperação com outras instituições. Em dezembro passado, o ERCBWC assinou um memorando de entendimento e cooperação com a Rede Internacional do Bambu e do Vime (Inbar).