11/10/2017

Yinchuan, na China, atrai interesse de brasileiros

Fonte: Valor Econômico

Yinchuan, cidade chinesa situada a duas horas de avião de Pequim, é considerada a grande referência mundial em “smart cities”. Com uma população de 2,5 milhões de pessoas, o município atende a 13 dos 15 indicadores usados para definir uma cidade inteligente: é modelo na área de saúde, mobilidade urbana, educação, trânsito, dentre outras.

O conceito de cidades inteligentes começou a ganhar forma em 2013, quando o governo chinês constatou o êxodo de boa parte da população da área rural para a urbana. Foi então que o risco de ver o país crescer de forma desordenada se fez presente. A China não queria ver várias Pequim se formando. Ou seja: avançando sem planejamento. Foi assim que o governo elegeu 50 cidades com uma média de 1,5 milhão de habitantes e decidiu transformá-las em smart cities.

De todas, a que cresceu mais rapidamente e se tornou um exemplo para todas é Yinchuan. Como 20% da ZTE pertence ao governo chinês, a provedora de soluções e equipamentos de telecomunicações foi convocada a participar do desenho dessas cidades inteligentes. Da área de planejamento ao desenvolvimento de tecnologias, a ZTE mergulhou no modelo.

Para viabilizar os projetos, foram estabelecidas várias PPP (parcerias público-privadas) para cada ramo de atuação. Yinchuan foi inteiramente cabeada com fibra óptica. Hoje, 85% da cidade faz uso de fibra e tem acesso a uma internet de altíssima velocidade. Por conta disso, o trânsito flui com a ajuda de sensores instalados na rua e também por meio das etiquetas eletrônicas coladas no vidro dos carros.

A prefeitura acompanha o tráfego em tempo real e toma decisões por meio de uma central de operações. Os usuários usam um app no celular que pode ser definido como Waze da prefeitura. “O trânsito é bem organizado. Dos cerca de dez dias em que viajei para lá em duas ocasiões, jamais peguei congestionamento”, diz Fábio Fernandes, diretor de negócios da ZTE.

Já na área de saúde, Fernandes conta que o que se observa são hospitais mais vazios que os brasileiros. Isso ocorre pelo fato de eles serem voltados a emergências. Os outros pacientes realizam 21 tipos de exames de sangue e urina no condomínio onde residem, por meio da telemedicina. Isso ocorre por conta de um equipamento desenvolvido pela ZTE e conectado via internet com os hospitais. Além de apontar o resultado do exame em 3 minutos, o dispositivo alerta o hospital em caso de algo sério.

De olho no modelo chinês, há hoje três cidades brasileiras interessadas nas tecnologias e nos respectivos projetos aplicados lá fora. Esse é o caso de São Paulo, Campinas e Fortaleza.

Em julho, foi estabelecida uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a ZTE. A companhia chinesa vai doar duas smart classes até o fim da gestão atual. Fica a cargo da ZTE toda estrutura, montagem e manutenção de duas salas de aula inteligentes em escolas públicas. Elas devem ser entregues no próximo mês. Por meio da tecnologia, será permitido transmitir aulas, realizar projeções de diferentes formatos e proporcionar uma maior interatividade entre alunos e professores.

O contrato de comodato foi assinado durante visita à sede da ZTE em Shenzen, na China, pelo prefeito João Doria Jr. e pelo CEO da ZTE do Brasil, Fu Yu. O acordo se encerra no final de 2020. Projetores, câmeras, sensores, microfones, sistema de áudio e vídeo, servidores e scanner visualizador de papéis serão instalados em cada sala de aula. O intuito é que essas funcionalidades tornem o ensino mais dinâmico e interativo.

Com essa estrutura, os professores terão acesso a lousas eletrônicas, gravação das aulas, scanner para projetar conteúdo direto de livros e papéis, câmeras que reconhecem ações dos alunos, dentre outras facilidades. O conteúdo exibido na smart class poderá ser disponibilizado tanto para outras salas inteligentes como outras equipadas com projetores e sistema de som, ou para computadores conectados à internet.

“As salas de aula inteligentes já são realidade em muitos países. Elas trazem novas formas de aprendizado por meio da interatividade, conectividade e inovação”, afirma Fernandes.