23/11/2017

Hotéis reduzem custos com eletricidade no mercado livre

Fonte: Valor Econômico

O segmento de hotelaria tem obtido economia média de despesas com energia elétrica superior a 20%, após a migração do mercado cativo, no qual os clientes são obrigados a contratar o fornecimento das distribuidoras, para o livre. As estimativas são da consultoria Thymos Energia. “Neste ano até agosto, migraram mais de 20 hotéis, somando 73 ao todo [no mercado livre]”, disse Samy Grynwald, gerente da Thymos Energia.

Um dos casos é o da rede de hotéis Deville, que administra nove empreendimentos em seis Estados e obteve economia com despesas de energia de 31,3%, ou R$ 2,4 milhões, em um ano, após ter migrado para o ambiente de livre negociação. Com a medida, a energia elétrica deixou de ser o segundo maior custo do grupo, atrás da folha de pagamentos, para assumir a terceira posição, superada pelos gastos com alimentos e bebidas.

“A economia hoje superou todas as nossas expectativas”, afirmou o gerente de manutenção e patrimônio da rede hoteleira, Alan Nogueira Santos, que acrescentou que a previsão da empresa era reduzir em 24% a conta de energia. Os gastos com energia consumiam 5,5% do faturamento do grupo. Um ano após a migração, essa parcela recuou para 1,7%.

De acordo com ele, a companhia decidiu ingressar no mercado livre de energia na segunda metade de 2015, mas a migração ocorreu mesmo em julho de 2016. Na ocasião a empresa contratou a comercializadora Tradener para o gerenciamento do processo e fechou contrato de quatro anos com o grupo CPFL Energia.

Pelo contrato, o custo da energia para a Deville está em torno de R$ 171 por megawatt-hora (MWh), nos submercados Nordeste e Sudeste, e de R$ 168/MWh, no submercado Sul. Nos últimos meses, a companhia registrou sobra em relação ao volume contratado e liquidou esse excedente no mercado de curto prazo ao preço de liquidação das diferenças (PLD), em torno de R$ 500 MWh.

“Foi o momento certo [para migrarmos]. Conseguimos contratar energia com um preço razoável e, com tudo o que aconteceu no mercado, para nós foi um sucesso, além da pegada de sustentabilidade, de estarmos consumindo energia mais limpa”, disse o gerente, destacando que a rede de hotéis se enquadrou na classe de “consumidor especial”, com demanda mínima de 500 quilowatts (kW) e que adquire energia de fontes renováveis complementares (biomassa, eólica, solar e pequena central hidrelétrica).

“Estamos muito satisfeitos. Esse primeiro ano já superou nossas expectativas. Acho que este segundo ano vai ser melhor”, afirmou. Ele acrescentou que, em 2017, a economia está em 29,8% (R$ 1,791 milhão), em relação a 2016.

Segundo Santos, o investimento feito pela rede de hotéis para migrar para o mercado livre, entre adequações em subestações e multas contratuais com as distribuidoras, da ordem de R$ 470 mil, se pagou em menos de três meses.

Segundo a Thymos Energia, outros dois setores que têm se destacado no mercado livre são o de comércio e de telecomunicações, cujo volume de energia consumida em agosto subiu 78,9% e 71,8%, respectivamente, em relação a igual período de 2016. O saldo, informou a consultoria, foi motivado principalmente pelas migrações do mercado cativo para o livre.

O número elevado de migrações nos últimos anos tem ampliado o volume de negócios no mercado livre. O movimento tem sido observado pela BBCE, plataforma eletrônica de leilão contínuo para comercialização de energia, que ultrapassou a marca de 20 mil megawatts (MW) negociados no ano.

O resultado foi obtido após a contabilização dos números de outubro, quando foram negociados 3.450 MW, a partir de 2.096 contratos, com uma movimentação de R$ 922 milhões.

Segundo o presidente da BBCE, Victor Kodja, no ano, a plataforma registra volume financeiro movimentado de R$ 11,5 bilhões, a partir de 9.904 contratos e total de energia negociada de 20.205 MW.