29/11/2017

Piauí ganha maior parque de geração solar da América do Sul

Fonte: O Globo

Usina da Enel, com investimento de US$ 300 milhões, terá capacidade para abastecer 300 residências

Aitaliana Enel inaugurou ontem, em Ribeira do Piauí (PI), o Parque Solar Nova Olinda, maior usina solar já em operação na América do Sul. Com capacidade instalada de 292 megawatts (MW) e investimento de cerca de US$ 300 milhões, o parque vai gerar energia suficiente para abastecer 300 residências. Até o fim do ano, haverá mais um parque, totalizando quatro empreendimentos de energia solar (no Piauí e na Bahia) no Brasil, com investimentos de quase US$ 1 bilhão. A nova usina tem contrato de venda de energia por 20 anos e estimativa de retorno financeiro em metade desse prazo.

Em Nova Olinda, são 930 mil painéis solares espalhados por 690 hectares, o equivalente a 700 campos de futebol. A energia solar ainda tem participação modesta na matriz elétrica brasileira: apenas 1%. Mas há projetos de várias empresas na Bahia, no Ceará e no próprio Piauí. A petrolífera norueguesa Statoil também está investindo em usinas solares no semiárido nordestino, enquanto a francesa EDF optou por Minas Gerais. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica estima que, até o fim do ano, a geração de energia solar fotovoltaica no Brasil atinja o patamar de 1 mil MW de capacidade instalada.

Segundo o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fabio Alves, o planejamento para 2026 prevê aumento de cerca de 50 mil MW na capacidade de geração de energia no país — metade de fontes eólica ou solar.

O empreendimento da Enel teve financiamento do Banco do Nordeste, mas as placas foram importadas da China, não apenas por serem mais baratas que as nacionais, como também pelo fato de a a indústria nacional não ter capacidade para atender à demanda.

— A China ganhou a guerra e permitiu reduzir muito o custo dos projetos. Os painéis representam hoje 30% do custo. No passado, eram 90%. Mas o Brasil pode agregar valor aos projetos com outras tecnologias — disse Antonio Cammisecra, responsável global da Energy Green Power, braço do grupo para energias renováveis. *A repórter viajou a convite da Enel