24/11/2017

Unidade Grid Solutions, da GE, cresce 50% no Brasil neste ano

Fonte: Valor Econômico

Os investimentos bilionários contratados no setor de transmissão de energia no Brasil desde o ano passado foram bem recebidos pela americana General Electric (GE). Apenas neste ano, a unidade de Grid Solutions, que inclui os equipamentos voltados para transmissão e distribuição de energia, deve ter um crescimento de 50% nas vendas no país, disse Reinaldo Garcia, presidente global da área, em entrevista ao Valor.

Segundo Garcia, o principal motivo dessa forte expansão nas vendas foi a retomada do setor de transmissão de energia. Entre o começo de 2016 e este ano, foram licitados mais de R$ 30 bilhões em investimentos no setor.

Para dezembro, está previsto outro certame, envolvendo quase R$ 9 bilhões em investimentos. “Tivemos muito sucesso no leilão de abril [deste ano], e esperamos ter uma grande participação no leilão de dezembro, exatamente como foi na última vez”, disse Garcia.

A expectativa é de que o segmento de Grid Solutions continue em forte expansão no próximo ano. “Naturalmente, um crescimento de 50% não é algo usual que tenhamos todos os anos, mas pensamos em um crescimento importante no ano que vem também”, disse o executivo.

“Um dos mercados mais ativos no mundo em transmissão é o Brasil, está havendo uma grande atividade neste momento”, afirmou. A companhia atua com fornecimento de equipamentos, engenharia, tecnologia, e em alguns casos subestações inteiras, em contratos do tipo ‘full service’.

A expansão veio depois de uma fase em que os leilões de transmissão não eram considerados atrativos. As condições foram aprimoradas e o cenário mudou. “De maneira global, isso é positivo, pois investidores começam a acreditar novamente no potencial do Brasil. Isso é um sinal importante não apenas para o mercado de eletricidade, mas para o mercado em geral” disse o executivo da GE.

A empresa não abre os números do segmento, mas a parcela do Brasil está ganhando mais espaço. Segundo Garcia, a América Latina representa 10% dos negócios da Grid Solutions no mundo, e o Brasil, até o ano passado, tinha uma fatia de 40% da região.

Em 2016, o faturamento da GE Power, que concentra as atividades ligadas ao setor elétrico, com exceção das renováveis, somou US$ 26,8 bilhões, alta de 24% em base anual. A receita total do grupo, por sua vez, chegou a US$ 123,7 bilhões, alta de 5,3%.

A Grid Solutions, que tem mais de 20 mil funcionários em cerca de 80 países, reúne os serviços e equipamentos voltados para transmissão e distribuição de energia. A unidade consiste em uma joint venture formada com a Alstom no contexto da aquisição da companhia pelo grupo, há dois anos.

O setor de transmissão liderou os investimentos nos últimos anos, mas os equipamentos para modernização da rede de distribuição também têm encontrado grande demanda no país, disse Garcia.

“Em um sistema tradicional de ‘grid’, você gera em um lugar e leva a energia para outro, a direção é única. Quando se começa a investir em geração descentralizada e outras tecnologias, há uma movimentação de eletricidade para todos os sentidos, e o sistema tradicional não é capaz de fazer isso”, disse Garcia. Para isso, as distribuidoras estão sendo obrigadas a fazer investimentos pesados em modernização.

Além do chamado “smart grid”, também há procura por softwares que ajudam a fazer a gestão da energia e a lidar com oscilações na carga e na voltagem próximas do consumo.

Outra questão que exige melhorias tecnologias é a expansão das fontes renováveis como eólica e solar, que são intermitentes. “Isso necessita de um grid mais robusto, e de mais tecnologia para lidar com as intermitências”, afirmou Garcia, completando que é um fenômeno muito importante para o setor. “Como a geração é mais complicada, você precisa de mais inteligência, e a questão do software se torna mais importante”, disse.

A GE também desenvolve baterias para armazenamento de energia, que podem ser utilizadas para amenizar problemas da intermitência da rede. Segundo Garcia, o Brasil ainda precisa de um aprimoramento na regulamentação para que essa tecnologia ganhe força.