20/12/2017

Leilão para novas usinas tem demanda baixa, segundo geradores de energia

Fonte: Folha de S. Paulo

A retomada dos leilões de geração de energia deste ano deverá dar algum alívio ao setor, mas os volumes contratados ficarão aquém do considerado ideal pelas indústrias.

No certame realizado nesta segunda-feira (18) –o primeiro desde o cancelamento do leilão de energia renovável no fim de 2016- foram contratados 228,7 megawatts médios de garantia física, um volume considerado baixo para a média histórica.

A previsão de investimento é de R$ 4,3 bilhões até 2021, data de entrega dos empreendimentos.

Na quarta-feira (20), um novo certame será realizado, e a previsão é que o volume contratado seja superior -cerca de 1 gigawatt médio, segundo projeção da diretora-executiva da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

A fonte solar foi a mais contemplada por este primeiro leilão, com 20 dos 25 empreendimentos. Chamaram atenção os preços bem mais competitivos que em 2015, no último leilão que incluiu usinas solares.

À época, o preço da energia girava em torno de R$ 297 por MWh (megawatts-hora), valor que, neste leilão, caiu para cerca de R$ 145 MWh, com deságio de 55,7%.

Já era esperado que a fonte solar fosse priorizada nesta concorrência, porque ficou de fora do leilão de quarta-feira, segundo empresários.

“Foi uma forma de equilibrar as fontes na concorrência. Sem dúvida, no próximo, as eólicas vão ter um espaço maior”, afirmou a diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

Nos últimos meses, a indústria de energia solar até tentou negociar sua inclusão na segunda concorrência, mas sem sucesso.

O argumento central usado contra a participação é que o segundo leilão terá um prazo de entrega até 2023, dois anos a mais que o primeiro. Como a tecnologia solar ainda tem um grau baixo de maturação, contratar uma usina a um prazo tão longo seria muito imprevisível.

INSUFICIENTE

O setor de energia solar comemorou o leilão desta segunda, mas avaliou que o volume contratado é insuficiente para incentivar a indústria. ainda incipiente no Brasil, segundo Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar (associação do segmento).

“É um passo importante para reestabelecer a confiança do investidor, mas o total contratado ficou abaixo do esperado”, disse Sauaia.

No leilão, foi contratada uma potência de 574 megawatts de energia solar, enquanto o patamar pleiteado pelo setor é de 2.000 megawatts por ano.

O total de projetos contemplados tampouco resolve o grande estoque de projetos do segmento, que se acumulam há cerca de dois anos, após o cancelamento do leilão de renováveis em 2016. Nesta concorrência, foram 574 os empreendimentos solares cadastrados.

Com uma fatia de apenas 4% dos projetos contratados, o setor das pequenas hidrelétricas (PCHs) também se queixou do resultado.

“É difícil justificar uma parcela tão baixa das pequenas hidrelétricas, que reúne microempreendedores que precisam de apoio, e que não tem intermitência como as fontes solar e eólica”, afirmou Paulo Arbex, da Abrapch (associação do setor).

Para um empresário do setor eólico, a soma da contratação dos dois leilões será insuficiente para agradar o mercado, mas há uma inversão na curva, e a tendência agora é de crescimento.

O nível de contratação de energia é definido pelas distribuidoras, que se comprometem a comprar das usinas por um prazo de 20 a 30 anos. Sem uma garantia de que haverá necessidade dessa energia, as empresas ficaram cautelosas e contrataram pouco.

Neste leilão, apenas sete distribuidoras participaram, e a maior parte da energia foi comprada pela CEA (Amapá), CEAL (Alagoas) e Copel D (Paraná).

No certame de quarta-feira, a perspectiva é que os volumes sejam maiores porque o prazo de entrega das usinas é mais longo, de seis anos. Até 2023, a expectativa é que o consumo de energia no país já tinha se recuperado e haverá uma demanda maior.