29/12/2017

Petróleo supera expectativas com corte na oferta mundial

Fonte: Valor Econômico

Por Renato Rostás
Sustentado pelo crescimento da economia mundial e pela geopolítica própria das produtoras, o petróleo foi um dos grandes destaques das commodities durante este ano. Assim como outros insumos, como ferrosos e a celulose, o comportamento dos preços ultrapassou as expectativas, principalmente por conta da extensão do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados para cortar produção.

O segundo contrato do Brent acumulou ganho de 15,08% no ano, fechando ontem na ICE Futures, de Londres, cotado a US$ 66,16 o barril. Só em dezembro, o avanço foi de 5%, e durante o último mês do ano, o derivativo tocou sua máxima de 2017, de US$ 67. No caso do WTI, a alta na Nymex, de Nova York, foi de 11% em 2017, para US$ 59,84, subindo 4% só em dezembro.
Para 2018, a maioria dos analistas acredita que não haverá grandes mudanças na cotação, frente a esse patamar atual. As previsões vão de US$ 60 a US$ 65 para o Brent, na média do ano, e de US$ 55 a US$ 60 para o WTI.

Os países da Opep e aliados fora do cartel, liderados pela Rússia, concordaram em estender o trato de cortar a produção em 1,8 milhão de barris por dia, ante o nível do fim de 2016, até dezembro de 2018. O acordo inicial vencia em março. Com esse freio, o mercado mundial começou a atingir um equilíbrio entre oferta e demanda.

Para ajudar no último fôlego do ano para os preços, a explosão de um oleoduto na Líbia, nesta semana, tirou cerca de 400 mil barris diários da oferta global, ajudando a impulsionar o Brent e o WTI. Ao mesmo tempo, o cumprimento das metas menores de produção por Opep e Rússia tem animado os investidores.

Mas o sucesso da estratégia da Opep de segurar produção tem dado certo devido a dois poderosos aliados, o crescimento global e o grande fluxo de capitais, diz o banco Julius Baer. Uma boa parte da valorização do petróleo vem dessa aposta cada vez mais alta dos investidores na matéria-prima, comenta a instituição.

Em razão das posições em aberto no mercado financeiro, especialmente por fundos de alto risco, é possível que turbulências no caminho para o equilíbrio entre oferta e demanda, além de qualquer notícia negativa para a commodity, resultem em uma realização de lucros muitos forte, e, como consequência, os preços desabem.

Além disso, a maior ameaça a esse equilíbrio do mercado são os Estados Unidos. O país está prestes a bater seu recorde histórico de produção, de 10 milhões de barris por dia, e com a queda nos custos de extração no xisto, não há no horizonte perspectiva de parar. O grande temor dos analistas é que os EUA anulem o efeito dos cortes em produção.

“A Opep não pode descansar tranquila ainda. Todas as previsões dão conta de um aumento de oferta maior do que o da demanda”, escreve o banco alemão Commerzbank em relatório. De fato, a própria Agência Internacional de Energia (AIE) acredita que o fornecimento aumentará em 1,6 milhão de barris por dia, enquanto o consumo tem expectativa de subir 1,3 milhão de barris.

Para a consultoria Capital Economics, uma variável a ser observada de perto em 2018 é a demanda chinesa por petróleo. De acordo com a instituição, durante 2017 o país ajudou a trazer maior equilíbrio ao mercado internacional por conta de seu consumo mais alto de combustíveis, mas isso pode não se repetir no ano que vem.

“Cada vez mais as grandes cidades chinesas estão focando em medidas antipoluição e agora há menor necessidade de estocagem de reservas estratégicas, depois de um movimento forte neste ano”, diz a Capital Economics em relatório. A previsão é que as importações da commodity subam apenas 3% em 2018, após avançarem 5% em 2017.