02/01/2018

Distribuidoras preveem queda na receita com nova tarifa de energia

Fonte: Valor Econômico

SÃO PAULO  –  A opção de os consumidores poderem aderir à tarifa branca – nova modalidade de cobrança na conta de luz que entra em vigor nesta segunda-feira (1º) – desagradou às distribuidoras de energia.

O regime cobra três preços diferentes: o de pico (mais caro) – que ocorre, com alguma variação por Estado, de 17h às 21h -; o intermediário e o fora da ponta (mais barato). A adesão é opcional, e o consumidor precisa formalizar junto à distribuidora que quer ficar no novo regime.

Os novos preços valem neste ano para quem tem consumo médio mensal superior a 500 kW/h (quilowatts-hora). A meta é escalonar anualmente a abrangência do desconto até que chegue em 2020 aos que consomem menos.

A proposta da tarifa branca é refletir o uso real das redes de distribuição, que têm períodos mais ou menos intensos, mas são dimensionadas para atender no pico. Quando o consumidor centraliza seu consumo fora desse período, não sobrecarrega a rede, favorecendo a eficiência energética das distribuidoras e a redução de custos, com o adiamento de investimentos.

As distribuidoras criticam, no entanto, o fato de a nova tarifa ser opcional, o que, segundo elas, pode gerar queda na receita. “Vai aderir quem já conseguiria ter uma redução na conta de luz sem ter que fazer nenhuma mudança de hábito. Da forma como está sendo implementada, os problemas são maiores do que as vantagens”, diz Nelson Leite, presidente da Abradee (associação das distribuidoras).

Em uma simulação considerando o consumo típico de uma unidade da região Sudeste com o perfil de adesão da primeira fase e as tarifas da Eletropaulo, a consultoria TR Soluções estima que, se os moradores apenas aderissem à tarifa branca, mantendo os mesmo hábitos de consumo, já conseguiriam um desconto de 1% na fatura.

“A tarifa branca, do jeito que foi desenhada, pode gerar benefício mesmo sem uma contrapartida do consumidor. Ele estaria consumindo da mesma forma, gerando a mesma carga para a rede e ainda pagando menos”, diz Paulo Steele, sócio-diretor da TR Soluções.

“Essa implementação inicial é um período de aprendizagem, tanto para consumidores quanto para distribuidoras. Nesse sentido, a adesão não ser compulsória tem vantagens. Mas, num segundo momento, poderia ser obrigatória, porque ser opcional pode gerar um problema de arrecadação às distribuidoras”, completa.

A consultoria estima que o impacto na receita da Eletropaulo, por exemplo, seria de queda de 2,2%. Na Cemig, chegaria a uma queda de 3%.

Os profissionais do setor apontam ainda que essa defasagem nas distribuidoras pode levar futuramente a um aumento da tarifa convencional.

“Todo ano a tarifa é reajustada para equilibrar a empresa. Se a distribuidora passa a ter perda de faturamento, na hora da revisão tarifária, a contrapartida é ter que elevar um pouquinho a tarifa de todo mundo para compensar”, explica Steele.

“A longo prazo, pode haver aumento de cobrança para quem não aderiu à tarifa branca”, afirma Leite.