30/01/2018

Tesla negocia investimento em lítio com chilena SQM

Fonte: Valor Econômico

A Tesla negocia investimentos com a Sociedad Química y Minera de Chile (SQM), maior produtora de lítio do Chile, para o abastecimento do principal material das baterias automotivas, como parte dos esforços para intensificar a produção de seu primeiro modelo de carro elétrico feito para o mercado em massa.

A montadora poderia acertar a construção de uma usina processadora no Chile para produzir o lítio de alta qualidade que precisa para suas baterias, segundo Eduardo Bitran, vice-presidente executivo da Corfo, a agência de desenvolvimento do Chile, disse ao “Financial Times”.

O acordo, se concretizado, marcaria a primeira investida da Tesla no exterior para garantir a matéria-prima das baterias, cujo preço vem subindo a passos largos em razão da popularidade cada vez maior dos carros elétricos.

“O Chile, com oferta crescente de lítio, é chave para qualquer empresa que queira se tornar global na mobilidade elétrica”, disse Bitran. “Aproximar-se do Chile ou ter uma aliança estratégica no Chile torna-se um fator estratégico para uma companhia como a Tesla.”

As montadoras internacionais buscam garantir o fornecimento de matérias-primas, à medida que expandem a produção de carros elétricos e tentam atingir metas ambiciosas de crescimento. Neste mês, o braço de comercialização da Toyota acertou a compra de participação de 15% na Orocobre, que produz lítio na Argentina.

A SQM é uma das fornecedoras de lítio com menor custo de produção do mundo. A empresa resolveu neste mês uma antiga disputa com a Corfo, o que vai permitir à mineradora quadruplicar sua produção de lítio até 2026.

Embora as conversas ainda estejam em fase inicial, a Tesla poderia investir em tecnologia de processamento para produzir o hidróxido de lítio usado nas baterias de seus carros diretamente na fonte, nas águas de alto teor de sal que se encontram embaixo do solo do deserto chileno, segundo Bitran.

O acordo também poderia trazer algum parceiro para produzir cátodos de bateria no país, já que o Chile tem um das energias solares mais baratas do mundo, acrescentou.

A Tesla encontra dificuldades para atingir as metas de produção de seu carro elétrico Model 3, em sua imensa fábrica Gigafactory, em Nevada. A montadora começou a produzir suas próprias células de bateria em conjunto com a Panasonic na fábrica no início de 2017.

Representantes da SQM e da Tesla não quiseram comentar as informações da negociação.

As ações da SQM avançaram mais de 71% nos últimos 12 meses e agora são negociadas a US$ 55,9. Os papéis foram impulsionados pelos preços do lítio, que mais do que duplicaram nesse período diante da alta na demanda.

Uma participação de US$ 5 bilhões na empresa está sendo vendida pela gigante Nutrien, uma grande produtora canadense de fertilizantes, como parte das condições da fusão que criou a empresa, em 2017, entre a PotashCorp e a Agrium.

Bitran afirmou que poderia haver um “conflito de interesses” se alguma outra grande produtora de lítio comprasse a participação de 32%.

Em vez disso, Bitran disse que algumas das ações devem ser vendidas no mercado aberto no Chile para fundos de pensão e outros investidores.

“Não queremos que alguma outra produtora importante de lítio do mundo compre todos esses 32% da companhia”, disse. “Não queremos isso. Isso criaria conflito de interesses que impactariam os interesses da SQM, o interesses da Corfo, os interesses do Chile e isso é um problema.”

A Tianqi Lithim, maior produtora de lítio da China, vem sendo considerada como uma das interessadas na compra da participação. Também se acredita que a mineradora Rio Tinto teria interesse na fatia, segundo uma fonte a par dos planos da empresa. (Colaborou Peter Campbell)