28/02/2018

AES Tietê prioriza conclusão de obras

Fonte: Valor Econômico

Depois de um ano marcado por aquisições de projetos de energia eólica e solar, a AES Tietê vai se concentrar, principalmente, na conclusão das obras ainda pendentes, disse Ítalo Freitas, presidente da geradora de energia. Em 2017, a AES Tietê anunciou investimentos em quatro novos projetos, que envolvem 686 megawatts (MW) em nova capacidade instalada para a companhia.

“Não vamos participar do leilão A-4 de abril. Estamos focados, principalmente, em botar de pé os projetos comprados. Existe uma equipe dedicada a eles”, disse Freitas, em entrevista ao Valor.
Isso não significa que a AES Tietê descarta novos investimentos em expansão neste ano. “Continuamos vendo oportunidades no mercado, mas mais de aquisições”, disse ele, completando que não há nada concreto em vista por enquanto. “Estamos olhando de longe as eólicas da Eletrobras à venda”, completou.

O importante para a AES Tietê é que os projetos tenham rentabilidade mínima. “Não adianta crescer por crescer, precisamos de boas taxas de retorno. Não precisamos entrar em projetos para fazer volume”, disse.

A companhia comprou no ano passado o complexo eólico Alto Sertão II, localizado na Bahia, com 386,1 MW já operacionais. Além disso, adquiriu os projetos dos complexos solares Boa Hora e Guaimbê, ambos em construção e localizados no Estado de São Paulo, com um total de 225 MW de potência. Em dezembro, a companhia fechou o ano com outro novo projeto, ao contratar, em um leilão A-4, o projeto solar Água Vermelha, que terá 75 MW.

O objetivo da companhia, ao adquirir esses projetos de fontes renováveis, é diversificar sua matriz, antes totalmente hídrica. A meta da AES Tietê é chegar em 2020 com 50% do seu resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) composto de fontes não hídricas.
No curto prazo, a AES Tietê segue implementando medidas para mitigar a exposição ao risco hidrológico. No ano passado, a companhia conseguiu evitar R$ 455 milhões em custos, ao reduzir contratos de energia para até 78% da sua garantia física disponível, e também por meio da compra de energia no mercado de curto prazo a preços atrativos.

“O cenário hidrológico de 2018 está melhor que o de 2017, há uma tendência de melhora. Mas isso não quer dizer que não vamos continuar fazendo nosso dever de casa, para mitigar qualquer tipo de risco que venhamos a ter no ano”, disse Freitas.

A companhia tem investido na área de inteligência de mercado e nas previsões meteorológicas para mitigar o risco hidrológico.

A AES Tietê é protegida parcialmente da exposição ao déficit de geração das hidrelétricas (GSF) por meio de uma decisão judicial obtida pela Associação Brasileira de Produtores Independentes de Energia (Apine). No início de fevereiro, a Justiça derrubou a decisão, mas os efeitos do período em que ela vigorou estão mantidos, protegendo a companhia de precisar pagar imediatamente o montante devido. Caso a decisão desfavorável sobrevenha, a AES Tietê estima o desembolso de R$ 711 milhões, que já foi provisionado.