01/02/2018

Produção de petróleo dos EUA supera 10 milhões de barris

Fonte: Valor Econômico

A produção de petróleo dos EUA superou 10 milhões de barris por dia pela primeira vez em quatro décadas, num novo marco de uma mudança profunda no mercado global da commodity.

A marca foi alcançada semanas depois de o Departamento de Energia ter dito que os EUA estavam posicionados para um crescimento “explosivo” na produção de petróleo, que levaria o país a superar os gigantes Arábia Saudita e Rússia neste ano. Novos projetos de exploração e técnicas de produção permitiram a exploração de bilhões de barris de petróleo em formações de rocha de xisto nos últimos dez anos, revertendo décadas de declínio na produção e tornando os EUA num exportador da commodity.

O anúncio também ocorre depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter decidido no ano passado estender um acordo, firmado com outros grandes produtores, para reduzir a produção, em resposta ao excesso de oferta que, em parte, foi alimentado pelo xisto. Esse acordo finalmente começou a dar sinais de que está funcionando, com os preços se recuperando de um período de baixa de três anos. Depois de caírem para perto de US$ 26 por barril, em 2016, o preço dereferência do petróleo subiu para mais de US$ 70 o barril em janeiro, e o petróleo americano segue a mesma tendência. Agora, o aumento da produção americana pode colocar em risco essa alta dos preços.

“Estamos começando a ver alguma mudança no sentimento do mercado de petróleo, considerando o fato de que a produção [americana] está realmente começando a crescer”, disse Joseph Bozoyan, gestor de carteira da Manulife Asset Management, em Boston. “Esses números da produção dos EUA estão começando a tirar o impulso de alta do mercado de petróleo.”

A produção nacional dos EUA subiu para 10,038 milhões de barris por dia em novembro, segundo informou ontem o Departamento de Energia. Esse é o maior volume desde novembro de 1970, de acordo com levantamento mensal realizado pela agência desde 1920. Essa marca ocorre em um momento que o petróleo tipo WTI é vendido em torno de US$ 64 por barril, um valor que pode estimular ainda mais a produção do xisto.

A Bacia do Permian, no Texas e Novo México, deverá responder por quase 30% da produção neste ano. Esse é o principal campo de produção de petróleo de xisto e de aquisição de áreas de exploração desde o colapso dos preços da commodity. A produção do Texas, que também inclui a formação de Eagle Ford, contribuiu com 3,89 milhões de barris por dia em novembro, a maior entre todos os Estado americano.

Ao contrário de projetos convencionais de petróleo, que podem levar muitos anos até entrar em produção, poços de xisto podem ser perfurado em duas semanas e a um custo de poucos milhões de dólares cada, o que significa que as empresas podem responder mais rapidamente às flutuações do mercado.

Os produtores de xisto responderam rapidamente à alta dos preços no ano passado colocando mais sondas de perfuração de em operação. Os planos das empresas sugerem que ainda há muito espaço para crescer. A Exxon Mobil anunciou nesta semana bilhões de dólares de investimento para aumentar cinco vezes sua produção no Permian – onde o custo é de US$ 15 o barril – nos próximos oito anos, para 500 mil barris/dia.

O Departamento de Energia estima que a produção americana vai atingir uma média de 10,3 milhões de barris por dia neste ano, e 10,9 milhões de barris por dia em 2019. Esse é um número que desafia a produção diária de menos de 10 milhões de barris por dia da Arábia Saudita em dezembro, e o quase 11 milhões de barris por dia da Rússia no ano passado. (Com o Financial Times)