14/03/2018

GP avalia fatia da AES na Eletropaulo

Fonte: Valor Econômico

O grupo americano AES está negociando a venda de sua participação na distribuidora paulista de energia Eletropaulo a fundos de investimentos. A gestora brasileira GP Investments é uma das interessadas na compra da participação detida pela americana, de 16,84%. Na cotação atual em bolsa, essa fatia vale R$ 515 milhões.

Em dezembro, a GP captou R$ 1 bilhão com o objetivo de comprar uma distribuidora de energia e quer efetuar a operação por esse fundo. É a segunda tentativa da GP de entrar na Eletropaulo. A gestora negociou, em 2002, a participação da AES, mas não teve sucesso.

A informação foi antecipada ontem pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. As ações da Eletropaulo, que vinham operando em queda superior a 2%, passaram a subir com a notícia, e fecharam com ligeiro ganho de 0,05%, a R$ 18,32.

Desde que a distribuidora de energia migrou para o Novo Mercado, no ano passado, passou a ser uma empresa de capital diluído e sem controlador. O governo é o maior acionista da Eletropaulo, com 18,73% do capital nas mãos do BNDESPar e 7,97% com a União. O banco, porém, não pode vender sua participação em uma negociação bilateral. As alienações de participações acionárias da BNDESPar em empresas listadas são realizadas em bolsa, ofertas públicas e leilões de venda, e não em transações privadas entre as partes – como a GP quer fazer com a AES. O objetivo do BNDESPar é sempre atingir o preço mais alto.

A operação proposta pela GP poderia ser feita concomitantemente à oferta de ações programada para o fim deste mês pela Eletropaulo na bolsa. Nessa oferta o BNDESPar pode reduzir sua fatia e também serviria para capitalizar a empresa com uma oferta primária. Isso viabilizaria o plano da GP, que é ser a maior acionista e conseguir dar um choque de gestão na companhia, com dinheiro em caixa.

Os investidores querem ficar com até 30% do capital da Eletropaulo, para evitar a obrigação de uma oferta pública pelas ações restantes da distribuidora.

A expectativa no mercado é que a oferta de ações seja lançada até o fim deste mês, o que dá à GP um prazo apertado para tentar fechar o negócio antes. Se isso for possível, a gestora sairá com vantagem na oferta de ações, pois poderá exercer o direito de preferência dado aos acionistas atuais na subscrição dos papéis. Nesse cenário, a gestora poderia atingir uma fatia relevante da Eletropaulo sem precisar necessariamente comprar ações do BNDES.

Outros fundos de private equity e family offices também estão avaliando a Eletropaulo, segundo o Valor apurou, assim como as empresas de energia elétrica CPFL e Enel. Executivos com conhecimento do assunto dizem que, conforme o maior interesse de investidores, a oferta restrita de ações tende a ser hoje a melhor opção para a Eletropaulo. A empresa e os acionistas atuais conseguiriam um preço melhor na oferta primária e secundária, especialmente após a conclusão do acordo entre Eletropaulo e Eletrobras anunciado na semana passada, que encerrou uma disputa na Justiça que se arrastava há mais de 30 anos. A companhia vai pagar R$ 1,4 bilhão à Eletrobras, montante inferior aos quase R$ 3 bilhões que a estatal previa receber, e que era descontado da avaliação que o mercado fazia da distribuidora.

A Eletropaulo precisa dos recursos da oferta primária para fazer frente a investimentos em modernização, ganhos de eficiência e para atingir as metas de qualidade do serviço prestado exigidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para a AES, vender sua participação para um investidor específico poderia garantir um preço mais adequado, uma vez que ela não precisaria ter acordo com os demais acionistas. Em bolsa, a empresa tem de considerar o preço razoável para dar prosseguimento à oferta pública. O valor, no entanto, não será significativo para a companhia americana já que, em dólares, sua fatia na distribuidora de energia vale menos que US$ 200 milhões.

Procurada, a GP diz que não comenta boatos de mercado. A AES diz que não vai se manifestar sobre o assunto.