13/04/2018

Brasil recebe 18% de todo investimento global da Iberdrola

Fonte: Valor Econômico

Controladora da Neoenergia, a gigante espanhola Iberdrola planeja participar dos próximos leilões de linhas de transmissão e de geração de energia do Brasil neste ano e estudar oportunidades de aquisições de empresas do setor no país. Além desses planos, a companhia já prevê investir no país de € 5,8 bilhões (cerca de R$ 24,4 bilhões) entre 2018 e 2022. O valor equivale a 18% dos desembolsos globais previstos pelo grupo no mesmo período.

“Ano passado houve alguns leilões para linhas de transmissão e para renováveis [eólicas]. E ganhamos vários desses leilões. E seguiremos nessa linha. Vai haver uma série de oportunidades de privatização de parte da Eletrobras [das distribuidoras]. Estudaremos”, afirmou o presidente mundial da Iberdrola, Ignacio Galán, que está em Bilbao, na Espanha, para a assembleia anual de acionistas do grupo.

Questionado sobre as recentes informações circuladas no mercado brasileiro com relação a um eventual interesse da Neoenergia em adquirir o controle da distribuidora paulista Eletropaulo, o executivo desconversou. Ele disse ter sido informado sobre as notícias que circularam no Brasil, mas afirmou que esteve concentrado nos últimos dias na preparação dos documentos para a assembleia, que deverá reunir mais de 3 mil pessoas.

Sobre os leilões de geração, o executivo contou que a empresa possui cerca de 1.500 megawatts (MW) de capacidade instalada de projetos eólicos cadastrados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para disputar o próximo leilão, do tipo “A-6”, que negociará contratos de fornecimento de energia de novos empreendimentos com início de suprimento em 2024. O leilão está marcado para 31 de agosto.

Com a reestruturação da Neoenergia, no ano passado, a partir da incorporação da Elektro, que atende parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul e que pertencia integralmente à Iberdrola, o grupo espanhol passou a deter o controle da Neoenergia, com 52,45% de participação. Os demais acionistas, Previ e Banco do Brasil, tiveram as participações reduzidas a 38,2% e 9,35%, respectivamente.

No ano passado, os acionistas tentaram realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla inglês), que foi cancelada, em dezembro, por não haver consenso com relação ao preço da oferta. A operação foi prejudicada pela proximidade das festas de fim de ano e pela ocorrência de dois IPOs expressivos na mesma época: da BR Distribuidora e do Burger King.

Grupo tem no país sete hidrelétricas, 17 parques eólicos, uma térmica, quatro distribuidoras e linhas de transmissão

Questionado sobre a possibilidade de uma nova tentativa de IPO, Galán explicou que o interesse em realizar a oferta partiu dos demais sócios e que, por compromisso com eles, a Iberdrola apoiaria a operação. “Se [os demais acionistas da Neoenergia] quiserem [fazer o IPO], nós faremos”, completou.

Perguntado sobre o impacto do momento político brasileiro, da eleição presidencial deste ano e das recentes mudanças no comando do Ministério de Minas e Energia nos planos da Iberdrola, o presidente mundial da companhia disse não estar especulando e que o interesse do grupo no país é de longo prazo.

“Somos uma empresa com 120 anos. Não somos especuladores financeiros. Somos uma empresa que se dedica a produzir, distribuir e vender energia elétrica. Sabemos que passamos momentos bons, momentos piores, momentos ruins, que troca governo, troca situações. Nesses 120 anos, tivemos guerras civis, guerras mundiais, ditaduras, repúblicas. Tivemos tudo. E nosso compromisso segue o de manter as pessoas conectadas. Essa é a nossa linha de atuação. Queremos investir no Brasil. Veremos as oportunidades”, afirmou Galán. “Nosso compromisso não é com o governo, é com o país”, afirmou.

O presidente da Iberdrola destacou ainda a decisão da classificadora de risco Moody’s, que reafirmou a nota de crédito (ratings) do Brasil nos últimos dias.

Talvez o presidente de companhia energética mundial que está há mais tempo no cargo (ele comanda a Iberdrola desde 2006), Galán poderá ter um novo mandato de quatro anos aprovado em 2019, o que o manteria à frente da companhia até 2023, garantindo a execução integral do plano 2018-2022. O executivo, que completará 68 anos em setembro, disse que essa decisão cabe à assembleia de acionistas.

No Brasil, após a reestruturação da Neoenergia, Galán assumiu o posto de presidente do conselho de administração da elétrica brasileira, sinalizando o interesse do grupo espanhol pelo país. O Brasil responde hoje por 16% do Ebitda mundial da Iberdrola (€ 7,3 bilhões) e por algo entre 7% e 10% do lucro líquido global da companhia (€ 2,8 bilhões), com trajetória de crescimento dessa participação.

Por meio da Neoenergia, a Iberdrola possui no Brasil 3.162 MW instalados, distribuídos em sete hidrelétricas, 17 parques eólicos e uma térmica. A empresa também detém 13,9 mil km de linhas de transmissão e quatro distribuidoras: Coelba (BA), Celpe (PE), Cosern (RN) e Elektro (SP/MS).