25/04/2018

Conselho da Eletropaulo tem dia decisivo

Fonte: Valor Econômico

O conselho de administração da Eletropaulo se reunirá hoje para o que promete ser uma decisão importante para o futuro da distribuidora de energia: manter ou não a emissão primária de até R$ 1,5 bilhão em ações anunciada em 17 de abril. A decisão deve depender de uma potencial nova oferta da italiana Enel. Até o momento, a proposta da Neoenergia é considerada a mais competitiva, por ter o preço mais elevado.

Além de propor a ancoragem do aumento de capital com a garantia de subscrição do total das ações colocadas ao preço de R$ 25,51, a companhia controlada pela espanhola Iberdrola apresentou uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) pela Eletropaulo no valor de R$ 29,40, acima dos R$ 28 propostos anteriormente pela Enel.

No lugar de apresentar uma nova proposta com um preço maior, a Enel publicou, no domingo, uma carta que causou mal estar na Eletropaulo e com a Iberdrola, apurou o Valor. No documento, a italiana disse acreditar que a emissão de ações e o acordo assinado com a Neoenergia prejudica a competição, por não ser transparente como o processo da OPA. Sem um novo preço, o conselho de administração da distribuidora decidiu, na segunda-feira, seguir adiante com o acordo firmado para capitalização da companhia.

A expectativa no mercado é que a Enel suba a oferta para o patamar de R$ 31 por ação. Como as demais condições da operação estão equiparadas, como o compromisso firme com a injeção de R$ 1,5 bilhão na companhia, isso deve justificar a desistência da emissão primária por parte do conselho de administração da distribuidora.

No caso de manutenção da oferta primária, a Enel poderá desistir, como prometido, da operação, ou se resignar a participar da concorrência pela alocação de capital, apesar da prioridade obtida pela Neoenergia quando conseguiu garantir a ancoragem da operação.

Num cenário em que o conselho suspenda a operação, o futuro do controle da companhia deve ser definido em 18 de maio, data colocada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o leilão simultâneo da OPA. A operação deve seguir a Instrução 361 da reguladora de mercado, que define que o leilão deve assegurar possibilidade de elevação do preço durante o leilão, e também a possibidade de interferências compradoras.