06/04/2018

Energisa lança oferta pelo controle da Eletropaulo

A Energisa saiu na frente no que deve ser uma disputa intensa pelo controle da Eletropaulo. O conselho de administração da companhia, controlada pela família Botelho, aprovou a realização de uma oferta pública (OPA) voluntária para aquisição do controle da Eletropaulo, ao preço de R$ 19,38 por ação ordinária, avaliando a distribuidora paulista em R$ 3,24 bilhões. Ontem, as ações da Eletropaulo fecharam com alta de 4,73%, a R$ 19,25.

Caso a oferta seja bem-sucedida e a Energisa consiga o controle da Eletropaulo, a empresa se compromete a fazer um aumento de capital na distribuidora paulista no valor de, no mínimo, R$ 1 bilhão, para melhorar sua estrutura de capital e reduzir o endividamento. Para fazer frente aos recursos, a Energisa prevê a contratação de instituições financeiras para coordenar uma oferta pública de distribuição de Units, lastreadas em ações ordinárias e preferenciais a serem emitidas pela companhia, por meio de um aumento de capital a ser realizado no Brasil e nos Estados Unidos.

A oferta da Energisa diverge dos planos do conselho da Eletropaulo, que estava perto de anunciar uma emissão primária de ações no valor de até R$ 1,5 bilhão, a fim de levantar recursos para melhorar a estrutura financeira da companhia. A operação seria acompanhada por uma oferta secundária, na qual a americana AES pretendia se desfazer de sua fatia de 16,83% na distribuidora de energia.

A expectativa no mercado é que outros investidores corram para entrar na disputa, e o valor ofertado pela Energisa, considerado baixo, deve ajudar a fomentar esse movimento. A italiana Enel já apresentou uma oferta, mas em um formato diferente. A ideia era ancorar a oferta primária de ações na bolsa. Nesse cenário, a companhia pretendia adquirir mais de 30% da distribuidora paulista nessa operação, patamar que a permitira lançar uma OPA voltada aos acionistas restantes.

A Equatorial é outra forte candidata, que deve apresentar oferta pela em breve, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Também são citadas no mercado as empresas CPFL e EDP Energias do Brasil, que teriam mais ganhos de sinergias com a aquisição. Outra potencial candidata é a Neoenergia.

Se a oferta da Energisa for bem sucedida, será a segunda vez em que a “zebra” passa na frente de empresas maiores. Em 2014, a empresa da família Botelho chegou por fora e tirou o grupo Rede das mãos de um consórcio formado pelas gigantes CPFL e Equatorial.

Se a Energisa não alcançar o controle da Eletropaulo, com mais de 50,1% das ações, a empresa deve desistir da oferta e não vai adquirir nenhuma ação. O edital da OPA sai hoje. A previsão é que o leilão seja realizado na B3 em 7 de maio, com a liquidação acontecendo em 10 de maio.

O prazo apertado indica que potenciais concorrentes da Energisa no negócio precisarão se apressar para apresentar uma proposta pela distribuidora.

O conselho de administração da Eletropaulo terá até 15 dias para avaliar a oferta e emitir uma recomendação aos acionistas. Segundo fontes, a primeira impressão é que o preço é baixo, mas a oferta ainda está sendo “digerida”. Caso outro investidor siga os passos da Energisa e faça uma proposta, o conselho da distribuidora de energia deverá avaliar a melhor alternativa. Pelo dever fiduciário com os acionistas, o conselho precisa avaliar se a proposta é a melhor alternativa para a companhia em comparação com seus planos originais, que previam melhorias como cortes de custos e ganhos de eficiência.